Projeto de lei quer proibir estepe temporário em carros novos no Brasil

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Icone de tempo Atualizado em 21/07/2026 | Icone de calendário Publicado em 21/07/2026 |

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados quer acabar com o estepe temporário nos carros novos vendidos no Brasil. O PL 1396/2026, de autoria do deputado Pastor Gil (PL-MA), obrigaria todas as montadoras a equipar os veículos com roda e pneu sobressalentes de mesmas dimensões, capacidade de carga e índice de velocidade dos pneus originais. A proposta ainda está nas comissões temáticas e pode mudar bastante antes de uma eventual votação.


Salve, motorista! Se você já furou um pneu e encontrou aquele pneu mais fino no fundo do porta-malas, já conheceu o personagem central desse debate. O estepe temporário se espalhou pelo mercado brasileiro a partir de 2012, em modelos como Honda Civic, Ford New Fiesta e Chevrolet Cobalt, e hoje equipa boa parte dos carros vendidos no país, especialmente SUVs. Tem lógica por trás disso, menos peso, mais espaço no bagageiro e uma troca menos trabalhosa. Mas o deputado quer mudar esse padrão, e o debate não é tão simples quanto parece.

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O que diz o projeto de lei

Pelo PL 1396/2026, toda montadora, importadora ou revenda que comercializar veículos novos com estepe temporário estaria sujeita a multa proporcional ao valor de mercado do carro e à obrigação de substituir gratuitamente o pneu fino por um estepe integral. A regra valeria para todas as categorias: carros de passeio, SUVs, picapes, comerciais leves e utilitários.

Na justificativa, o deputado argumenta que o estepe temporário altera o comportamento dinâmico do veículo em frenagens e curvas, impõe limite de velocidade de 80 km/h e não mantém as características originais de estabilidade, tração e distribuição de carga. O parlamentar ainda classifica a ausência de um estepe integral como possível vício do produto.

O PL está em fase inicial. Ainda passará por comissões temáticas na Câmara antes de ir ao Senado, caso avance. Há espaço para ajustes, e o texto provavelmente terá que responder a perguntas práticas que ainda não endereça, como o que fazer com carros que usam rodas de tamanhos diferentes nos eixos dianteiro e traseiro.

Por que o estepe temporário se popularizou no Brasil

Não foi por acidente que o estepe temporário virou padrão. À medida que os carros, sobretudo os SUVs, passaram a usar rodas maiores e pneus de perfil mais baixo, o estepe de tamanho original ficou pesado e volumoso demais. Uma roda de 19 polegadas, como a usada em algumas versões do Jeep Compass, pesa 14,7 kg. Somando o pneu correspondente, 12 kg, o conjunto completo chega a quase 27 kg. Carregar isso até o acostamento às 11 da noite não é tarefa simples.

O ganho de espaço no porta-malas também é concreto. O Jeep Renegade, por exemplo, ampliou o bagageiro de 260 para 320 litros ao adotar o estepe temporário. Nas versões com tração integral, que precisam manter o sobressalente idêntico aos demais pneus, o porta-malas é proporcionalmente menor. A indústria aponta ainda outro detalhe: o estepe temporário é menos visado por furtos, já que não serve para uso diário em outro carro.

Hoje, a legislação brasileira não exige que o estepe seja integral. O Código de Trânsito Brasileiro lista pneu e aro sobressalentes entre os equipamentos obrigatórios, mas não determina que sejam idênticos aos originais. A Resolução Contran nº 913/2022 regulamenta o estepe temporário e define critérios específicos, como diâmetro externo igual ao das rodas de série e obrigatoriedade de informar a velocidade máxima segura para uso da peça. A mesma resolução dispensa o estepe em carros equipados com pneus run-flat ou com kit de reparo com selante e compressor.

O que um despachante vê na prática

Na vistoria veicular, um dos pontos checados é exatamente a presença dos equipamentos obrigatórios, e o estepe está nessa lista. Hoje, um pneu temporário em boas condições passa normalmente porque a legislação vigente permite. Se o PL for aprovado e sancionado, esse critério muda, e veículos novos precisariam sair da concessionária com estepe integral para estar em conformidade. Qualquer transferência ou licenciamento de um veículo que não atenda ao novo padrão poderia complicar o processo.

Mas há um ponto mais imediato do que a legislação: muita gente simplesmente não sabe que o estepe temporário tem restrições de uso. Roberto Falkenstein, consultor de tecnologias da Pirelli para a América Latina, alerta que a peça foi projetada para rodar até o ponto de reparo mais próximo, não para substituir o pneu furado por dias ou semanas. Ela interfere nos sistemas eletrônicos do carro, como ABS e controle de estabilidade, e o limite de 80 km/h existe por razão técnica: em velocidades mais altas, os esforços mecânicos e a geração de calor aumentam de forma significativa. Os fabricantes recomendam até desligar o controle de estabilidade enquanto o estepe temporário estiver montado.

Se o seu carro tem estepe temporário, o ponto prático é esse: verifique a pressão dele de vez em quando, tenha o número de um borracheiro próximo salvo no celular e saiba exatamente onde o estepe fica guardado no seu modelo. Estepe murcho ou mal localizado não serve para nada na hora do aperto.

A proposta faz sentido?

A intenção do deputado tem fundamento: o estepe temporário tem limitações reais, e o motorista que não lê o manual pode não saber de nenhuma delas. O problema é que o projeto ignora que a indústria atual trabalha com rodas que tornaram o estepe integral uma peça pesada, cara e difícil de acomodar no porta-malas.

Obrigar um SUV com rodas de 20 polegadas a vir com sobressalente do mesmo tamanho elevaria o custo do veículo e criaria um problema de peso que a maioria dos motoristas não consegue resolver sozinha na beira da estrada. Uma solução mais equilibrada passaria por garantir que o consumidor seja informado sobre as limitações do estepe temporário no momento da compra, não por proibir uma solução técnica que tem amparo em normas específicas e é adotada globalmente. Como o projeto evolui nas comissões vai determinar se ele vira lei com sentido ou se chega ao Senado irrelevante.


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Perguntas frequentes sobre estepe temporário

O estepe temporário é obrigatório?

A legislação brasileira exige que o veículo tenha alguma solução para seguir viagem em caso de pneu furado, incluindo pneu e aro sobressalentes, macaco e chave de roda. O estepe temporário atende essa exigência. Carros com pneus run-flat ou kit de reparo com selante e compressor também estão dispensados de carregar estepe.

Qual é a velocidade máxima com estepe temporário?

Em geral, o limite é de 80 km/h. O pneu temporário é mais estreito, tem composto diferente e foi projetado apenas para uso emergencial até o ponto de reparo mais próximo. Rodar acima desse limite aumenta o risco de perda de estabilidade e pode danificar o próprio estepe.

Usar estepe temporário por muito tempo prejudica o carro?

Sim. Por ser mais estreito e ter diâmetro diferente dos demais pneus, o estepe temporário interfere nos sistemas eletrônicos do veículo, como ABS e controle de estabilidade. Os fabricantes recomendam desligar o controle de estabilidade enquanto rodar com esse pneu e trocar pelo pneu original o mais rápido possível.

O PL 1396/2026 já está em vigor?

Não. O projeto de lei ainda está em análise nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados. Só depois de aprovado na Câmara é que seguiria para o Senado. Hoje, o estepe temporário continua completamente legal e regulamentado no Brasil pela Resolução Contran nº 913/2022.

Como sei se meu carro tem estepe temporário?

O estepe temporário é visivelmente mais fino que os pneus de série. Você também pode verificar na lateral do próprio pneu, onde costuma estar escrito ‘T’ antes da medida, ou no manual do veículo. Verifique a pressão recomendada no manual: o estepe temporário geralmente precisa de mais pressão do que os pneus normais.

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