71% dos carros no Brasil andam sem seguro, diz estudo da Confederação Nacional das Seguradoras
Um levantamento inédito da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) confirmou o que muita gente já desconfiava: apenas 29% da frota nacional tem seguro. São cerca de 44 milhões de veículos dos 63,3 milhões em circulação no Brasil rodando sem qualquer cobertura contra roubo, furto, colisão ou outros imprevistos. Para a maioria dos donos desses carros, basta um momento de azar para a conta virar uma crise sem saída.
Salve, motorista! O estudo é o primeiro realizado pela CNseg para traçar o perfil do segurado brasileiro e reúne dados de seguradoras que representam cerca de 60% da arrecadação do mercado. O setor praticamente dobrou de tamanho na última década, mas a parcela da frota protegida ficou praticamente estável, o que mostra que o crescimento do mercado ainda não chegou para a maior parte dos proprietários de veículos no país.
Quem são os 29% que têm seguro
A pesquisa da CNseg mostra que a classe C lidera a contratação de seguros automóveis, respondendo por 41% dos segurados. Para o levantamento, a classificação do IBGE considera classe C as famílias com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120. Mesmo sendo o grupo mais numeroso entre os segurados, a proporção ainda é desproporcional: a classe C representa 59% da população brasileira, mas apenas 41% dos contratos de seguro.
Na sequência aparecem a classe B (24%), com renda entre R$ 14.120 e R$ 28.240; a classe D (23%), entre R$ 2.824 e R$ 5.648; a classe E (7%), com até R$ 2.824; e a classe A (5%), acima de R$ 28.240. Em termos de faixa etária, pessoas entre 36 e 55 anos concentram mais da metade dos segurados, o que faz sentido: é a fase da vida com mais patrimônio acumulado e maior percepção de risco.
Outra descoberta relevante: 46% dos veículos segurados custam até R$ 70 mil. Isso derruba um mito antigo de que seguro é coisa de quem compra carro caro. O consumidor de carro popular e intermediário já incluiu o seguro no planejamento financeiro, principalmente nas grandes cidades, onde roubo, furto e colisão são riscos cotidianos.
Por que tanta gente ainda vai sem cobertura
O custo é o principal obstáculo. Segundo a CNseg, o seguro representa entre 4% e 8% do valor do veículo. Para um carro de R$ 50 mil, isso significa uma apólice entre R$ 2 mil e R$ 4 mil por ano, valor que muitas famílias ainda têm dificuldade para encaixar no orçamento. Além do preço, dois outros fatores pesam: a renda limitada de parte dos proprietários e a percepção de que o seguro é um gasto secundário, especialmente entre donos de veículos mais antigos.
A CNseg aponta também que muitos proprietários simplesmente desconhecem as diferentes modalidades de cobertura disponíveis. Existem opções com franquias maiores, coberturas modulares ou proteção apenas contra roubo e furto, que saem bem mais em conta do que uma apólice completa. O problema é que poucas pessoas buscam comparar antes de desistir.
A distribuição pelo Brasil
O Sudeste concentra 53% dos veículos segurados, seguido por Sul (16%), Centro-Oeste (15%), Nordeste (12%) e Norte (4%). A liderança do Sudeste acompanha a distribuição da frota nacional e a maior renda média da região, além da urbanização mais intensa e do risco percebido mais alto nas metrópoles.
Mesmo com a baixa taxa de cobertura, o mercado não para de crescer. A arrecadação do segmento saltou de R$ 31,7 bilhões em 2016 para R$ 61,6 bilhões em 2025, alta nominal de 94%. As indenizações pagas pelas seguradoras também subiram, de R$ 21,2 bilhões para R$ 35,5 bilhões no mesmo período. Para 2026, a projeção da CNseg é de crescimento de 7,8%, puxado pela recuperação das vendas de automóveis e pela expansão dos modelos híbridos e elétricos.
O que acontece na prática quando você não tem seguro
Quem trabalha com documentação de veículo todo dia sabe que o estrago de um carro furtado vai além do prejuízo financeiro imediato. Quando um veículo é roubado ou furtado sem seguro, o dono precisa registrar o boletim de ocorrência e comunicar o furto ao Detran do seu estado para interromper a cobrança de IPVA e outras taxas. Sem essa comunicação formal, as dívidas continuam sendo geradas no CPF do proprietário mesmo com o carro sumido.
Em caso de acidente com terceiros, sem seguro a indenização sai do bolso diretamente. Se o carro ficar inutilizado, o processo de baixa definitiva junto ao Detran precisa ser feito com documentação completa, o que pode virar um problema dependendo do estado de conservação do veículo e do histórico de pendências no cadastro. Um despachante resolve esse tipo de situação com mais agilidade, mas o melhor cenário é não chegar nesse ponto, com o carro protegido por pelo menos uma cobertura básica contra roubo e furto.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre seguro de carro no Brasil
O principal motivo é o custo: o seguro representa entre 4% e 8% do valor do veículo, podendo custar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil por ano para um carro de R$ 50 mil. Além do preço, muitos proprietários desconhecem as modalidades de cobertura mais acessíveis ou consideram o seguro um gasto que pode esperar.
A classe C lidera, respondendo por 41% dos segurados, segundo o levantamento da CNseg. Essa faixa reúne famílias com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120, de acordo com a classificação do IBGE.
Você precisa registrar o boletim de ocorrência na delegacia e comunicar o furto ao Detran do seu estado. Sem essa comunicação, o IPVA e outras taxas continuam sendo cobrados no seu CPF mesmo sem o carro. Um despachante pode ajudar a resolver essa documentação com mais agilidade.
Sim. Existem modalidades com coberturas modulares, franquias maiores ou proteção restrita a roubo e furto, que costumam sair bem mais em conta do que uma apólice completa. Vale pesquisar e comparar entre seguradoras antes de desistir da cobertura.
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