Pesquisa revela por que quase metade dos brasileiros desistiu ou adiou a compra de carro elétrico

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Icone de tempo Atualizado em 14/05/2026 | Icone de calendário Publicado em 14/05/2026 |

Uma pesquisa da consultoria EY ouviu mil consumidores no Brasil e chegou a um número que resume bem o momento do mercado de elétricos no país: 39% dos motoristas pretendem adiar ou reconsiderar a compra de um carro elétrico, e outros 11% já desistiram de vez. O principal vilão da história não é o preço, nem a tecnologia. É a falta de onde carregar.


Salve, motorista! Se você já chegou a pensar em trocar o carro a gasolina por um elétrico e esbarrou na dúvida “mas onde vou carregar?”, saiba que você não está sozinho.

O estudo da EY, chamado Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI), é a sexta edição de uma pesquisa realizada em 32 países com 21 mil entrevistados. O recorte brasileiro mostra que a hesitação é real, concreta e cheia de razões práticas.

46% dos brasileiros dizem que seus planos de compra de um elétrico seguem inalterados. Isso quer dizer que a maioria, de um jeito ou de outro, está com o pé atrás.

Por que os motoristas estão desistindo dos elétricos

A barreira número um não é o preço do carro. É não ter onde plugar. 36% dos entrevistados que descartaram os elétricos citam a falta de infraestrutura em casa ou no trabalho, seja por morar em condomínio sem instalação adequada, seja porque o sistema elétrico da residência não comporta um carregador. Outros 33% apontam a ausência de estações públicas de recarga como motivo decisivo.

Na sequência, aparecem preocupações que misturam custo e incerteza. 28% têm dúvidas sobre a substituição da bateria no futuro, e outros 28% consideram o custo de compra inicial um empecilho, mesmo com os elétricos ficando cada vez mais competitivos frente aos modelos a combustão.

Outros pontos que pesam: 27% questionam a qualidade dos carregadores públicos que existem, 21% acham que elétrico é mais caro para reparar e 17% têm dúvidas sobre a autonomia real e o custo de carregamento no dia a dia.

O recado é direto: o brasileiro não tem medo do elétrico em si. Tem medo de ficar na mão.

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Quem ainda quer comprar um elétrico e por quê

Do outro lado estão os motoristas que mantêm os planos, e os motivos deles também fazem sentido. O mais citado, com 38%, é o custo crescente dos combustíveis convencionais.

Empatado no primeiro lugar, também com 38%, vem a preocupação ambiental. Depois disso, aparecem: maior autonomia (30%), custo total de propriedade mais baixo ao longo do tempo (29%), melhor desempenho comparado aos carros a combustão (28%), facilidade de manutenção (25%), incentivos financeiros (20%) e a oferta crescente de modelos (16%).

Quem decide comprar um elétrico não está fazendo isso por modismo. Está fazendo uma conta, e essa conta está fechando para quem tem onde carregar o carro com tranquilidade.

O que os brasileiros querem nos carros conectados

A pesquisa foi além dos elétricos e também mapeou o que os motoristas brasileiros priorizam nos carros conectados. A resposta é prática: nada de luxo, foco no útil. 55% têm interesse em sistemas de navegação, sendo que 41% topam pagar por isso. Em seguida, 54% priorizam recursos de segurança e 55% estão dispostos a investir em soluções de proteção.

Manutenção e assistência remota interessam a 29%. Conforto e bem-estar chegam a 32%. Já o infoentretenimento, aquelas telas com streaming e apps, é relevante para apenas 17% dos entrevistados. O motorista brasileiro quer que o carro o ajude a chegar bem, não que o entretenha.

Mesmo com esse interesse, há reservas. 33% temem distração ao dirigir, 32% reclamam do custo elevado dos serviços conectados e 27% já tiveram problemas com software ou atualizações. Em relação aos sistemas avançados de assistência ao condutor, as preocupações são sérias: 54% temem risco de acidentes causados por falhas, 52% desconfiam de falhas tecnológicas e 44% não querem sentir que perderam o controle do veículo.

Marcas europeias lideram, chinesas avançam

A pesquisa também mapeou preferências por origem de marca, e o resultado mostra um mercado em transição. 76% dos brasileiros preferem marcas europeias, consolidando a liderança delas em todas as motorizações. As marcas americanas somam 62% e as asiáticas (exceto China) ficam em 59%.

O ponto que chama atenção: as marcas chinesas atingiram 24% da preferência, um avanço considerável para montadoras que há poucos anos eram vistas com desconfiança no país. BYD, Caoa Changan e companhia estão deixando de ser novidade para virar opção real na lista de compra de muita gente.

Intenção de compra caiu, mas o Brasil ainda está à frente

A intenção geral de compra de carros também recuou. Nas Américas, 58% dos entrevistados se dizem propensos a comprar um veículo, queda de 3% frente ao ano anterior. No Brasil, o índice é maior, mas também cedeu: 68% manifestam intenção de compra, redução de 4% em relação a 2024.

Para quem pretende comprar, os prazos são bem definidos. 64% planejam adquirir um carro nos próximos 12 meses, enquanto 38% apontam um prazo entre 13 e 24 meses. O mercado continua aquecido, só que com o consumidor mais criterioso do que antes.


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Perguntas frequentes sobre carros elétricos no Brasil

Vale a pena comprar um carro elétrico agora?

Depende muito de onde você mora e do seu perfil de uso. Se você tem onde carregar em casa ou no trabalho e faz trajetos urbanos, a conta pode fechar bem, com economia de combustível e manutenção mais simples. O problema aparece para quem mora em condomínio sem instalação adequada ou depende exclusivamente da rede pública de recarga, ainda bastante limitada no Brasil.

Por que a infraestrutura de recarga ainda é um problema no Brasil?

A expansão dos pontos de recarga públicos não acompanhou o crescimento das vendas de elétricos. Segundo a pesquisa da EY, 33% dos motoristas que desistiram do elétrico citam exatamente a ausência de estações públicas. Além disso, 27% questionam a qualidade e o funcionamento dos carregadores que existem, o que gera insegurança mesmo para quem tem acesso a eles.

Carro elétrico é mais caro de manter do que um carro a gasolina?

Em geral, não. Os elétricos têm menos peças mecânicas sujeitas a desgaste, o que reduz a frequência e o custo das revisões. O ponto de atenção é a bateria: a eventual substituição representa um custo elevado, e é por isso que 28% dos brasileiros que desistiram do elétrico citam essa preocupação. Antes de comprar, vale pesquisar a cobertura de garantia da bateria oferecida pela montadora.

As marcas chinesas de carro elétrico são confiáveis?

A aceitação das marcas chinesas cresceu no Brasil: 24% dos consumidores já as incluem na lista de preferência, segundo a pesquisa da EY. Marcas como BYD ganharam espaço com preços competitivos e garantias ampliadas. Como em qualquer compra, o recomendado é pesquisar a assistência técnica disponível na sua cidade e verificar as condições de garantia antes de fechar negócio.

Quando a rede de recarga pública deve melhorar no Brasil?

Não há uma data definida, mas o governo federal e algumas iniciativas privadas vêm anunciando projetos de expansão. A tendência é de melhora gradual, impulsionada pelo próprio crescimento das vendas de elétricos. Por enquanto, quem não tem recarga em casa ou no trabalho ainda deve avaliar com cuidado antes de dar o passo.

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