Stellantis vai expandir tecnologia híbrida chinesa para Fiat e Jeep com motores flex no Brasil
A Stellantis confirmou que vai levar o sistema REEV, da chinesa Leapmotor, para outros modelos da Fiat e da Jeep vendidos no Brasil. O diferencial é que essa tecnologia vai funcionar junto com os motores flex nacionais do grupo, algo que ainda não existe em nenhum outro mercado do mundo.
Salve, motorista! A informação veio do presidente da Stellantis no Brasil, Herlander Zola, em um encontro com jornalistas nesta semana. Ele não revelou modelos nem datas, mas foi direto: a empresa quer avançar rápido nessa direção. Pesquisas internas mostram que os brasileiros gostaram da proposta do REEV, e a Stellantis vê nisso uma vantagem estratégica para os próximos anos.
O que é o sistema REEV e por que ele é diferente de um híbrido comum
O REEV funciona de um jeito simples de entender: o carro tem motor elétrico e bateria, como qualquer elétrico. Mas também carrega um motor a combustão que nunca move as rodas diretamente. Esse motor serve apenas para gerar energia e recarregar a bateria quando ela está baixa. A tração é sempre elétrica.
Pela legislação brasileira, esses veículos são classificados como híbridos plug-in, o que os coloca numa categoria diferente dos híbridos leves (MHEV) da Fiat, como o Pulse e o Fastback. Hoje, o Leapmotor C10 já usa esse sistema no Brasil. Em agosto de 2026, o B10 será apresentado com a mesma tecnologia no Festival Interlagos, em São Paulo.
A compatibilidade com etanol é o diferencial brasileiro. A Stellantis pretende integrar o REEV com os motores flex do grupo, entre eles o Firefly 1.0, o GSE Turbo 1.3 e o Hurricane 2.0 flex. Ou seja, o motor que funciona como gerador de energia poderia rodar com gasolina ou etanol, o que faz bastante sentido para o mercado daqui.
Quais modelos da Fiat e da Jeep podem receber a tecnologia
Zola não citou nomes. Mas a pista que ele deu é objetiva: os motores que seriam integrados ao REEV já equipam uma gama ampla da linha nacional da Fiat e da Jeep, o que abre muitas possibilidades. Há também a opção de produzir carros da própria Leapmotor no Brasil nos modelos SKD (semimontado, finalizado localmente) ou CKD (completamente desmontado e montado aqui), dependendo do volume e da rentabilidade.
Em abril, a Stellantis já havia anunciado que os modelos B10 e C10 da Leapmotor serão fabricados em Goiana, Pernambuco. A empresa ainda detém 51% da Nordex, uma fábrica no Uruguai que produz veículos para terceiros, o que pode ser usado como alternativa de produção regional.
O que muda na documentação e no custo de ter um híbrido plug-in
Quem lida com documentação de veículo todos os dias sabe que a categoria do carro importa, e muito. Veículos híbridos plug-in (PHEV), como os que usam o sistema REEV, já se beneficiam de redução de IPI na compra, conforme a política federal de incentivo a veículos eletrificados. Vários estados também oferecem desconto no IPVA para essa categoria, mas as regras variam bastante de um estado para outro.
O problema que aparece com frequência: o veículo é classificado de forma errada no sistema do Detran na hora do registro. Quando isso acontece, o motorista pode perder o benefício de alíquota reduzida no IPVA sem perceber, ou ter dificuldade na hora de vender o carro, porque a categoria no CRLV não bate com o que o veículo realmente é. Para quem está comprando um modelo eletrificado agora ou nos próximos meses, vale confirmar com um despachante se a classificação no documento está correta antes de assinar qualquer coisa.
Peugeot de nicho, Dongfeng no radar e RAM com novidades
A Stellantis também anunciou mudança no posicionamento da Peugeot no Brasil. Segundo Zola, a marca francesa vai operar como marca de nicho, com posicionamento acima da Fiat. Não é uma saída do mercado, mas uma redução de volume e aumento de margem por unidade.
Outra frente é a entrada da Dongfeng nos planos brasileiros da empresa. A parceria entre Dongfeng e as marcas Peugeot e Citroën existe há cerca de 30 anos na China. Agora, a Stellantis estuda trazer essa colaboração para o Brasil, tanto em lançamentos das marcas francesas com tecnologia Dongfeng quanto com modelos da própria Dongfeng produzidos localmente. SUVs, picapes compactas e carros de entrada estão no radar.
A RAM também foi lembrada: o segmento de picapes representa aproximadamente 25% do mercado brasileiro, e a Stellantis quer ampliar a presença da marca, especialmente nas picapes médias. A Dakota pode ganhar novas versões e motorizações além das disponíveis hoje.
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Perguntas frequentes sobre híbridos plug-in e o sistema REEV
O REEV é um sistema em que o carro tem tração 100% elétrica, mas carrega um motor a combustão que atua apenas como gerador para recarregar a bateria. Ele nunca move as rodas diretamente. No Brasil, veículos com esse sistema são classificados como híbridos plug-in (PHEV) pela legislação.
Depende do estado. Vários estados oferecem alíquota reduzida de IPVA para veículos híbridos plug-in, mas as regras são diferentes em cada lugar. Em São Paulo, por exemplo, há desconto para essa categoria. Antes de comprar, confirme a alíquota no seu estado e verifique se a classificação do veículo no documento está correta.
Ainda não há data confirmada. O presidente da Stellantis no Brasil anunciou a intenção, mas não revelou modelos nem prazo. O que está confirmado é que o Leapmotor B10 com REEV será apresentado no Festival Interlagos, em São Paulo, em agosto de 2026.
Sim. O Bio-Hybrid é uma família que inclui híbridos leves (MHEV), híbridos plenos (HEV) e híbridos plug-in (PHEV) desenvolvidos dentro da Stellantis. O REEV é a tecnologia da Leapmotor, empresa chinesa da qual a Stellantis tem 51%, e representa uma linha separada. As duas estratégias vão coexistir no portfólio da empresa.
Essa é exatamente a proposta. A Stellantis quer integrar o sistema REEV com os motores flex nacionais (Firefly 1.0, GSE Turbo 1.3 e Hurricane 2.0), o que permitiria usar gasolina ou etanol no motor gerador. É uma combinação inédita no mundo, ainda em desenvolvimento para os próximos modelos.
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