Motos Shineray são acusadas de poluir até 30 vezes acima do limite
Um laboratório independente confirmou o que a Abraciclo já denunciava desde o fim de 2025: motocicletas da Shineray emitem poluentes muito além do que a legislação brasileira permite. Os testes realizados pela empresa Marelli apontam que os modelos avaliados ultrapassaram os limites legais em 63 dos 64 parâmetros analisados, com alguns casos registrando emissões de gases nocivos até 30 vezes acima do limite. O processo tramita na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) desde janeiro de 2026.
Salve, motorista! Se você tem uma Shineray ou estava de olho em algum modelo da marca, vale entender o que está em jogo aqui. A disputa saiu do campo das acusações mútuas entre empresas e chegou a um ponto em que os dados técnicos falam por si. E quando um laudo independente confirma irregularidades em quase todos os parâmetros testados, isso tem consequências bem práticas para quem já colocou dinheiro nisso.
O que os testes encontraram
A Abraciclo adquiriu os veículos diretamente no mercado, manteve uma cadeia de custódia formal e os encaminhou à Marelli para repetir os ensaios de forma independente. O resultado confirmou as irregularidades: as motos excederam os limites em 63 dos 64 parâmetros, incluindo emissões de monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), hidrocarbonetos não metânicos (NMHC) e óxidos de nitrogênio (NOx), além de níveis de ruído acima do permitido.
Em um dos casos registrados nos laudos, as emissões de monóxido de carbono chegaram a 87 mil partes por milhão a 2.000 rpm, cerca de 29 vezes acima do limite estabelecido pela Resolução Conama 493/2019. Os técnicos também encontraram ausência de componentes obrigatórios para controle ambiental: catalisador, cânister e sistema fechado de ventilação do cárter. Isso não é detalhe técnico menor, são peças que a legislação brasileira exige em qualquer moto que circule no país.
A estratégia da Shineray até agora era questionar a imparcialidade dos laboratórios usados pela Abraciclo, por serem vinculados a fabricantes concorrentes. Com o laudo da Marelli, esse argumento perde terreno. A fabricante informou apenas que o processo corre sob segredo de Justiça e que não fará novos comentários.
Quais modelos estão envolvidos
Os modelos submetidos aos testes mais recentes são o Rio 125 EFI, o SHI 175 EFI e o JEF 150S. Na primeira rodada de ensaios, realizada no fim de 2025, o modelo JEF 150S EFI também foi avaliado. Todos foram comprados em concessionárias ou de consumidores diretos, o que indica que as irregularidades não se limitam a lotes isolados de produção.
A Abraciclo destaca ainda que as desconformidades podem configurar não só infrações ambientais, mas também violações ao Código de Defesa do Consumidor, já que os veículos foram comercializados em condições diferentes das homologadas. Em outras palavras: o consumidor pode ter comprado um produto que não é exatamente o que foi aprovado pelos órgãos competentes.
O que muda para quem já tem uma dessas motos
Ainda não há decisão oficial de recall, suspensão de vendas ou indenização. A Senacon notificou outros órgãos do governo federal para que também se manifestem no processo. A Abraciclo pede formalmente o recall da frota e a suspensão das vendas enquanto o caso não é resolvido. O processo segue em aberto.
Na prática, uma moto que polui acima do permitido pode ter problemas em inspeções veiculares. Nos municípios que exigem vistoria técnica para renovar o licenciamento, um veículo fora dos padrões do Promot, que é o programa federal de controle de emissões de motos, pode ser reprovado. Se você tem um desses modelos e precisa licenciar em 2026, esse é um ponto de atenção real.
O histórico do escândalo também tende a afetar o valor de revenda. Mesmo o dono que nunca soube da irregularidade vai sentir o peso disso na hora de anunciar a moto. Compradores pesquisam, e o nome da marca aparece junto com essas notícias.
O que um despachante observa nesse caso
Quem trabalha com documentação de veículo todo dia conhece bem uma armadilha que pouca gente percebe: ter a licença de homologação não significa que o veículo em circulação está conforme o que foi aprovado. A Shineray argumenta que suas motos possuem a Licença para Uso da Configuração (LC) emitida pelo Ibama. A licença existe, e é obtida durante o processo de homologação. O problema, segundo os laudos, é que os veículos efetivamente vendidos não correspondem ao que foi homologado. Componentes obrigatórios estão ausentes. Isso é bem diferente de um simples erro burocrático.
Antes de comprar qualquer moto de marca com pouco histórico no mercado brasileiro, vale verificar se há processos administrativos em aberto, pendências junto ao Ibama ou registros no Procon. Esse tipo de checagem a maioria das pessoas não faz, e em casos como esse faz toda a diferença. Se quiser ajuda para consultar a situação de um veículo antes de fechar negócio, um despachante resolve isso rapidamente.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre as motos Shineray e as acusações de emissões
Ainda não existe nenhuma obrigação legal imposta ao consumidor. O processo tramita na Senacon e pode resultar em recall, mas enquanto não há decisão oficial, não há nada que o dono seja obrigado a fazer. O recomendado é acompanhar as atualizações do caso e, se precisar licenciar o veículo em 2026, ficar atento à possibilidade de reprovação em vistoria de emissões nos municípios que adotam esse tipo de inspeção.
O Promot é o Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares, criado pelo governo federal para regular os limites de emissão de gases poluentes e ruído em motos. Qualquer motocicleta vendida no Brasil precisa ser homologada dentro desses padrões antes de chegar ao mercado. Os laudos indicam que os modelos Shineray avaliados não respeitaram esses limites.
A Abraciclo pede formalmente o recall na denúncia apresentada à Senacon. No entanto, a decisão cabe às autoridades competentes, e o processo ainda está em andamento. A Senacon notificou outros órgãos do governo federal para se manifestarem. Não há prazo definido para uma decisão.
O Código de Defesa do Consumidor prevê proteção ao consumidor quando um produto é vendido em condições diferentes das divulgadas ou homologadas. Se ficou comprovado que o veículo adquirido não corresponde ao que foi aprovado pelos órgãos competentes, existe base legal para reclamação. Para avaliar o caso individualmente, o ideal é consultar o Procon do seu estado ou um advogado especializado em direito do consumidor.
A verificação técnica exige ensaios em laboratório credenciado, o que não é algo simples de fazer por conta própria. O Ibama é o órgão responsável por credenciar laboratórios para esse tipo de avaliação. Nos municípios com vistoria veicular obrigatória, a inspeção periódica já inclui uma checagem de emissões. Fora disso, acompanhar os comunicados do Ibama e da Senacon é a forma mais prática de ficar informado sobre eventuais determinações relativas ao modelo do seu veículo.
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