Projeto quer obrigar Uber e 99 a ter botão de emergência para motoristas: o que muda se virar lei
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria novas obrigações de segurança para plataformas como Uber, 99 e similares. Se o texto virar lei, os aplicativos terão de disponibilizar botão de acionamento da polícia, compartilhamento de localização em tempo real e verificação reforçada da identidade dos passageiros, entre outras medidas.
Salve, motorista! Se você usa algum aplicativo para trabalhar com transporte de passageiros, esse projeto interessa diretamente ao seu dia a dia. Hoje, o motorista de app tem poucos recursos formais de proteção garantidos pelas próprias plataformas. O PL 6.370/2025, apresentado pelo deputado Amom Mandel (Republicanos-AM) e relatado pelo deputado Sargento Portugal (Pode-RJ), tenta mudar isso criando um conjunto de regras mínimas que as empresas precisarão cumprir.
O que o projeto obriga as plataformas a oferecer?
O texto aprovado na comissão lista uma série de recursos que passariam a ser exigidos dos aplicativos. O principal deles é o botão de emergência para acionamento da polícia, disponível diretamente no app durante a corrida. Além disso, as plataformas deveriam garantir atendimento imediato em situações de risco, compartilhamento de localização em tempo real enquanto a viagem estiver ativa e verificação de identidade mais rigorosa dos passageiros, com o objetivo de reduzir fraudes e uso indevido de contas por terceiros.
Na prática, o motorista passaria a ter ferramentas reais dentro do app para acionar ajuda. Hoje, em uma situação de risco, o recurso mais imediato ainda é ligar para o 190 pelo próprio celular.
Motorista vai saber o destino antes de aceitar a corrida
Outro ponto relevante é a ampliação das informações disponíveis antes do início da viagem. Dependendo da plataforma e da categoria de serviço, hoje o motorista aceita a corrida sem saber para onde vai. O projeto muda isso: o condutor teria acesso ao endereço completo de embarque e desembarque, ao nome do passageiro e ao histórico de viagens do usuário antes de decidir se aceita ou não a solicitação.
O texto também garante ao motorista o direito de cancelar ou recusar uma corrida sem sofrer punições quando houver risco comprovado à sua segurança ou ao seu patrimônio. Esse ponto é relevante porque, atualmente, recusas e cancelamentos frequentes podem levar a penalidades dentro das plataformas, incluindo desativação temporária ou permanente da conta.
Multas de até R$ 10 mil para plataformas que descumprirem as regras
As empresas que não cumprirem as novas exigências poderão receber advertência ou multa entre R$ 1 mil e R$ 10 mil por infração. O projeto também prevê campanhas educativas, criação de canais específicos de atendimento e treinamento de agentes públicos para lidar com ocorrências envolvendo o setor.
A existência de um mecanismo de fiscalização e penalidade dá mais sustentação ao texto. De nada adianta uma obrigação legal sem quem aplique a sanção. A regulamentação prática, porém, ainda dependeria de como o governo estruturaria essa fiscalização após a aprovação.
O projeto ainda não é lei: entenda o caminho até a aprovação
A aprovação na Comissão de Segurança Pública é apenas o primeiro passo. O texto ainda precisa passar pela Comissão de Finanças e Tributação e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara. Depois disso, segue para votação no plenário da Câmara dos Deputados e, se aprovado, vai ao Senado Federal.
Nada muda no curto prazo. Mas o avanço do projeto indica que o tema está na pauta do Legislativo, e que alguma regulamentação sobre segurança em apps de transporte deve surgir nos próximos anos, em uma forma ou outra.
O que o motorista de app pode fazer agora, antes da lei existir
Quem trabalha com transporte por aplicativo não precisa esperar a lei para se proteger melhor. Verificar se o app tem função de compartilhamento de rota com um contato de confiança e ativar esse recurso em todas as corridas já ajuda hoje. Registrar ocorrências diretamente na plataforma sempre que houver situação de risco também é importante: esse histórico pode ser relevante em qualquer disputa futura com o aplicativo.
Na perspectiva de quem lida com documentação de veículo profissional todos os dias: motoristas de app precisam manter o carro em dia não só por segurança no trânsito, mas porque as próprias plataformas exigem veículo regularizado para manter a conta ativa. Licenciamento atrasado, multas não pagas ou restrição no CRLV são problemas que costumam aparecer na hora errada, quando o veículo é a principal fonte de renda do motorista. Resolver essas pendências com antecedência, antes de uma fiscalização ou de uma auditoria interna da plataforma, evita dor de cabeça dupla.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre segurança para motoristas de aplicativo
Ainda não. O texto foi aprovado apenas na Comissão de Segurança Pública da Câmara. Para virar lei, precisa passar pela Comissão de Finanças e Tributação, pela CCJ, pelo plenário da Câmara e pelo Senado Federal.
O projeto se aplica a plataformas de transporte por aplicativo de forma geral, o que inclui Uber, 99, inDrive e similares que operam no Brasil.
Depende da plataforma e dos termos de serviço de cada aplicativo. O projeto de lei quer garantir esse direito por lei quando houver risco comprovado à segurança do motorista, mas isso ainda não é uma obrigação legal no Brasil.
Pelo texto aprovado na comissão, as empresas poderão receber advertência ou multa entre R$ 1 mil e R$ 10 mil por infração. A fiscalização, porém, ainda precisaria ser regulamentada após a aprovação final da lei.
Sim. As plataformas exigem veículo com documentação em dia para manter a conta ativa. Licenciamento atrasado, multas não pagas ou restrições no CRLV podem resultar em suspensão da conta, além de risco de autuação no trânsito.
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