Operação Sucata 0 km: ex-funcionário é acusado de desviar 54 carros novos da Caoa para o desmanche

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Icone de tempo Atualizado em 02/10/2026 | Icone de calendário Publicado em 02/10/2026 |

Um ex-funcionário da fábrica da Caoa em Anápolis (GO) é acusado de ter desviado 54 veículos zero-quilômetro da montadora entre o fim de 2023 e o início de 2025. Os carros saíam com documentação forjada, iam direto para São Paulo e acabavam desmontados, com as peças vendidas em lojas físicas e nas redes sociais. O prejuízo calculado chega a R$ 8,7 milhões.

 
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Salve, motorista! O Ministério Público de Goiás, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), deflagrou em setembro de 2026 a segunda fase da Operação Sucata 0 km, cumprindo 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo e São Bernardo do Campo. Os investigadores encontraram galpões com carrocerias de SUVs esvaziadas, peças anunciadas com procedência “zero-quilômetro” e imóveis bloqueados pela Justiça. O caso deixa um alerta concreto para quem compra autopeças usadas no Brasil.

Como 54 carros novos saíram de uma fábrica sem chamar atenção

O esquema dependia de um documento que, em si, é completamente legítimo: a nota fiscal de remessa para industrialização por encomenda. Esse tipo de nota é usado quando um veículo precisa sair temporariamente da fábrica para receber, por exemplo, blindagem ou acessórios especiais, antes de voltar ao fluxo normal de venda. Para quem confere a papelada, tudo parece rotineiro.

Para completar o esquema, o acusado foi além. Segundo o MPGO, ele criou o perfil de um analista de marketing fictício e passou a gerar, em nome desse suposto funcionário, solicitações fraudulentas por e-mail que ajudavam a justificar cada retirada. A fraude se sustentou por mais de um ano até que os controles internos da própria Caoa identificaram inconsistências no estoque, dando início à investigação.

 
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Quais modelos estavam na linha de montagem durante os desvios

Entre o fim de 2023 e o início de 2025, a planta da Caoa em Anápolis produzia dois portfólios ao mesmo tempo. Da linha Hyundai saíam o HR 4WD, o New Tucson e o utilitário HD80. Da linha Caoa Chery, os SUVs Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8. Ao menos um Hyundai HR 4WD foi recuperado durante a operação, fotografado sobre um guincho após ser localizado pelos investigadores.

A maior parte dos veículos foi enviada para São Paulo e São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A investigação também identificou pelo menos um envio para Santa Catarina. Em vez de revendidos inteiros, os carros eram desmontados e as peças distribuídas para lojas físicas de autopeças e perfis em redes sociais, alguns dos quais chegavam a destacar que os componentes vinham de “carros zero-quilômetro”.

O que a operação encontrou e quem responde pelos crimes

As buscas atingiram oficinas, galpões e imóveis ligados aos investigados, porque havia indícios de que parte dos veículos ainda estivesse armazenada ou em processo de desmontagem. As imagens divulgadas pelo MPGO mostram duas carrocerias de SUVs quase completamente esvaziadas, transportadas sobre uma plataforma. As ações foram conduzidas pelo Gaeco do MPGO com apoio do DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) da Polícia Civil de São Paulo.

A Justiça determinou o sequestro e o bloqueio de imóveis, veículos e valores em contas bancárias dos investigados. Os denunciados respondem, conforme a participação atribuída a cada um, por associação criminosa, furto mediante fraude e abuso de confiança continuado e receptação qualificada no exercício de atividade comercial.

 
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O que um despachante vê nessa história que o comprador comum não percebe

Quem trabalha com documentação de veículo todos os dias sabe que esse tipo de esquema costuma deixar rastros, mas raramente na peça em si. Quando um carro é desmontado, não há mais placa, chassi visível ou CRLV para consultar. A peça vira apenas uma peça. E é exatamente por isso que o comprador desavisado fica exposto.

Para quem compra autopeças usadas, a recomendação é direta: exija nota fiscal, confira o CNPJ do estabelecimento e desconfie de anúncios em redes sociais que oferecem peças em bom estado por preço muito abaixo do mercado, especialmente quando o vendedor destaca a procedência “zero-quilômetro” sem apresentar nenhum comprovante. Preço bom demais para peça nova é sinal de alerta, não de oportunidade.

Para quem está comprando um veículo inteiro no mercado de usados, a consulta veicular continua sendo o caminho mais rápido para checar histórico de furto, roubo e restrições judiciais. Um despachante faz esse levantamento em minutos e consegue identificar irregularidades que o comprador comum não saberia onde procurar, antes de o negócio ser fechado.


Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:


Perguntas frequentes sobre o desvio de carros da Caoa

O que é nota fiscal de remessa para industrialização e por que foi usada no esquema?

É um documento fiscal legítimo que autoriza um veículo a sair temporariamente de uma fábrica para receber intervenções externas, como blindagem ou acessórios, antes de voltar ao fluxo de venda. No caso da Caoa, o ex-funcionário emitia esse tipo de nota para simular saídas rotineiras, quando na verdade os carros nunca voltavam.

Como o desvio foi descoberto?

A investigação começou depois que inconsistências foram identificadas no controle de estoque da montadora. A partir daí, o Gaeco do Ministério Público de Goiás passou a rastrear como os veículos haviam saído da fábrica e qual foi o destino de cada um, chegando à rede de receptadores em São Paulo e São Bernardo do Campo.

Quais modelos foram desviados na Operação Sucata 0 km?

Os desvios ocorreram entre o fim de 2023 e o início de 2025, período em que a fábrica da Caoa em Anápolis produzia modelos Hyundai (HR 4WD, New Tucson, HD80) e Caoa Chery (Tiggo 5X, Tiggo 7, Tiggo 8).

Quem comprou peça de carro desviado sem saber pode ser responsabilizado?

Em geral, o comprador de boa-fé que não tinha como saber da origem ilegal da peça não responde criminalmente. Mas a situação pode gerar complicações em caso de fiscalização ou rastreamento da peça. Exigir nota fiscal ao comprar autopeças usadas é a principal proteção disponível.

Como verificar se um carro usado tem histórico de furto ou restrição judicial?

A consulta veicular via DETRAN ou por meio de um despachante credenciado mostra histórico de roubo, furto, restrições judiciais e financiamento em aberto. O processo é rápido e deve ser feito antes de qualquer negócio, especialmente em compras de pessoa física.

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