Carros premium: conheça as marcas chinesas que empurram Volvo, Mercedes, Audi e Porsche para fora do top 20
De janeiro a setembro de 2025, cinco marcas premium estavam entre as 21 que mais vendiam automóveis no Brasil: BMW, Volvo, Mercedes-Benz, Porsche e Audi. No mesmo período de 2026, sobrou só uma, a BMW. As vagas foram ocupadas por cinco marcas chinesas que não estavam na lista um ano antes: Geely, Omoda Jaecoo, GAC, Caoa Changan e Leapmotor. A troca aparece no ranking acumulado de marcas da FENABRAVE.
Salve, motorista! Isso não quer dizer que as marcas de luxo sumiram das ruas ou das concessionárias. Mas mostra como o mercado brasileiro mudou de tamanho e de cara em apenas um ano, e como ficou mais difícil para as marcas pequenas aparecerem no topo.
Quem saiu e quem entrou
| Saíram do top 21 | Jan a set de 2025 | Entraram no top 21 | Jan a set de 2026 |
| Volvo | 6.920 | Geely | 37.804 |
| Mercedes-Benz | 6.505 | Omoda Jaecoo | 35.081 |
| Porsche | 4.090 | GAC | 11.413 |
| Audi | 3.638 | Caoa Changan | 7.400 |
| Mitsubishi | 9.554 | Leapmotor | 7.140 |
A Mitsubishi, que não é premium, também deixou a lista. Do lado de quem entrou, a diferença de tamanho chama atenção: só a Geely vendeu, em nove meses de 2026, mais que Volvo, Mercedes, Porsche e Audi somadas no mesmo período de 2025.
O ranking ficou mais disputado
Aqui vale um cuidado. Sair do top 21 não significa, necessariamente, vender menos. A FENABRAVE só publica as 21 maiores marcas, e a régua para entrar nessa lista subiu muito.
De janeiro a setembro de 2025, a 21ª marca do ranking vendeu 3.638 carros. Em 2026, no mesmo período, foi preciso vender 7.140 para ficar com a última vaga. Volvo e Mercedes, por exemplo, podem até ter vendido o mesmo que em 2025 e, ainda assim, ficado de fora. Como a FENABRAVE não divulga os números de quem está abaixo da 21ª posição, não dá para saber quanto cada uma vendeu este ano.
O que dá para afirmar é que o mercado cresceu muito, puxado por marcas novas, e que Volvo e Mercedes perderam espaço. Em 2025, cada uma tinha perto de 0,5% do mercado de automóveis. Em 2026, como ficaram abaixo da 21ª marca, têm menos de 0,41%. Para Porsche e Audi, que já eram menores, não dá para saber se a fatia caiu.
A BMW resistiu, mas vende menos
A BMW é a exceção, e a única premium com números completos nas duas comparações. A marca vendeu 10.903 automóveis de janeiro a setembro de 2026, 11,1% a menos que os 12.269 do mesmo período de 2025. Em setembro, foram 1.230 unidades, contra 1.498 um ano antes, queda de 17,9%.
A queda chama atenção porque vem depois de um ano recorde. Em 2025, a BMW emplacou 16.865 carros no Brasil, alta de 4,1% sobre 2024, e liderou o segmento premium pelo sétimo ano seguido, segundo a própria marca. Os dois modelos mais vendidos, o SUV X1 e o sedã 320i, são fabricados em Araquari (SC), e a produção local responde por cerca de 60% das vendas da BMW no país.
A marca não comentou publicamente o recuo de 2026. Enquanto isso, a participação dela no mercado de automóveis caiu de 0,87% para 0,63% no acumulado do ano.
Onde as chinesas competem com as premium
As marcas chinesas que entraram no ranking não vendem carros de luxo no sentido tradicional, mas vendem SUVs grandes, bem equipados e eletrificados por preços abaixo dos modelos de entrada das alemãs.
O BMW X1 parte de cerca de R$ 331 mil, e o 320i, de cerca de R$ 355 mil. Na mesma época, o Leapmotor C10 era vendido por cerca de R$ 190 mil na versão elétrica, e o Omoda 7, híbrido plug-in, a partir de R$ 254.990. São carros de categorias diferentes, mas que disputam parte do mesmo comprador: quem quer um SUV espaçoso, com muita tecnologia, e está disposto a pagar mais de R$ 200 mil por ele.
O que isso significa pra quem está comprando
Se você tem ou quer comprar um carro de marca premium, a rede de concessionárias e a oferta de peças continuam. A saída do ranking não indica que essas marcas estão deixando o país. Mas um volume menor de vendas pode significar menos opções de seminovos no futuro e, em alguns casos, revenda mais lenta.
Para quem está entre um premium tradicional e um SUV chinês da mesma faixa de preço, vale comparar além da ficha técnica: tempo de garantia, rede de assistência na sua cidade, custo de manutenção e histórico de revenda. As marcas chinesas costumam oferecer garantias longas e muitos equipamentos, mas ainda têm pouco histórico no Brasil. As premium têm marca consolidada e revenda mais conhecida.
Saiba mais
Os números de todas as marcas, mês a mês, estão na ferramenta de carros mais vendidos do Brasil.
Perguntas frequentes
A BMW. Em 2025, liderou o segmento premium pelo sétimo ano seguido, com 16.865 carros vendidos. Em 2026, segue na frente: é a única marca premium entre as 21 que mais vendem automóveis no país, com 10.903 unidades até setembro.
Em 2025, foi o BMW X1, com 5.367 unidades, seguido pelo BMW 320i, com 4.410, segundo a BMW.
A linha 2026 do BMW X1 tem preços a partir de cerca de R$ 331 mil, chegando a cerca de R$ 386 mil na versão M Sport.
Não. As duas continuam vendendo carros no país. Elas apenas deixaram de aparecer entre as 21 marcas que mais vendem automóveis, porque a régua para entrar nessa lista subiu com o crescimento das marcas chinesas.
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