Carros de candidatos 2026: conheça as garagens milionárias e quem declarou mais em carros ao TSE
Antes de disputar uma vaga no Legislativo, candidatos são obrigados a declarar ao TSE todos os bens que possuem, inclusive veículos. Um levantamento feito com base nessas declarações mostra que dez deles somam frotas avaliadas entre R$ 2,3 milhões e R$ 6,2 milhões, com modelos que vão de Porsche 911 Turbo S a Mercedes-AMG G 63, passando por uma coleção com 18 caminhões.
A obrigação de declarar veículos não é exclusividade de candidatos a cargo público. Todo brasileiro que compra, vende ou transfere um carro precisa ter a documentação em ordem no Detran. No caso dos candidatos, a diferença é que a declaração vai ao TSE e qualquer cidadão pode consultar. O que chama atenção nesse levantamento, além dos valores, é a quantidade de itens declarados de forma vaga: apenas “veículo automotor”, sem modelo, marca, ano ou valor individual. Para quem trabalha com documentação de veículos todo dia, isso levanta questões.
Quem lidera o ranking das maiores garagens declaradas ao TSE
A deputada federal Flávia do Maguito (PSDB-GO) lidera com R$ 6.270.990 em veículos. O carro mais caro é um Mercedes-AMG G 63 avaliado em R$ 2,25 milhões. Ela ainda declarou outro Mercedes, modelos de Ram, Range Rover, Jeep e Volkswagen, sem especificá-los individualmente.
Na segunda posição está Alessandro Bronze, suplente de senador pelo PL do Amazonas, com R$ 5.609.000 em cinco veículos, três deles acima de R$ 1 milhão cada. Todos declarados simplesmente como “veículo automotor”, sem identificação de modelo ou marca. O terceiro lugar é de Prisco Bezerra (União-CE), suplente de senador, com R$ 3.191.959: seis automóveis e uma moto, o mais caro a R$ 1,1 milhão, todos declarados genericamente como “automóvel”.
Entre o 4º e o 10º lugar, algumas garagens se destacam por composições diferentes. Odilio Balbinotti (PL-MT) declarou um conjunto clássico de SUVs de luxo: Mercedes-AMG GLE 63 S, BMW X5, Range Rover Velar, Jeep Compass e Volkswagen Nivus. Acir Gurgacz (PDT-RO), senador, tem um Porsche 911 2023, um BMW 745 e um Denza B5, além de modelos mais antigos. Já Mauricio Buffon (PL-TO) venceu em quantidade: 24 veículos, sendo 18 caminhões, o que parece mais uma frota de negócio do que uma coleção pessoal.
No 8º lugar, Alexandre Baldy (PP-GO), vice-presidente da BYD do Brasil, declarou quatro modelos da marca chinesa, mas o destaque é um Porsche 911 Turbo S avaliado em R$ 1.900.000. Fechando o top 10, Roberto Franca (PSB-PB) tem uma lista eclética: Porsche Cayenne E-Hybrid Coupé, dois quadriciclos (Can-Am Maverick R e Polaris RZR Pro XP), uma Ram, um Jeep Compass, um Renegade e uma moto aquática.
O problema das declarações vagas: “veículo automotor” não diz muita coisa
Do ponto de vista da documentação, declarar um bem de R$ 1 milhão apenas como “veículo automotor” é o equivalente a dizer que tem dinheiro guardado sem informar o valor. Formalmente possível, porque o TSE aceita descrições genéricas em alguns campos da declaração. Mas do ponto de vista prático, não chega perto do que se exige no Detran para qualquer operação com esse mesmo veículo.
Para licenciar, transferir ou emitir qualquer documento, o sistema do Detran exige placa, RENAVAM, dados do proprietário, tipo de veículo e situação dos débitos. Cada carro tem identidade própria no sistema, e isso não muda com base em como o dono o descreveu em outro documento. A declaração ao TSE serve à transparência eleitoral. A documentação no Detran é o que dá validade jurídica ao bem, e essa parte não admite vagueza.
Quanto custa manter uma frota dessas? O IPVA já diz muito
Os carros do ranking não são baratos de manter. Considerando uma alíquota média de 3% a 4% sobre o valor venal, um Mercedes-AMG G 63 avaliado em R$ 2,25 milhões gera uma conta de R$ 67 mil a R$ 90 mil só de IPVA por ano. Multiplique isso por cinco ou seis veículos e o custo anual de documentação facilmente ultrapassa R$ 200 mil.
Além do IPVA, há licenciamento anual, seguro obrigatório e, para veículos importados, custos específicos que aparecem na hora da compra. Frotas grandes também acumulam multas com mais facilidade, especialmente quando há motoristas diferentes usando os veículos. Manter tudo em dia exige controle ativo de prazos, e é exatamente aí que muita gente deixa escapar, independente do valor dos carros.
O que isso tem a ver com você, motorista?
Diretamente, talvez nada. Mas o ranking torna visível algo que vale para qualquer dono de veículo: a documentação importa, independente do valor do bem. Um Gol sem ano especificado, como o declarado por Buffon, tem as mesmas exigências de licenciamento que um Porsche 911. Nenhum veículo fica de fora das obrigações no Detran.
Se você tem mais de um carro, ou está pensando em comprar ou vender um veículo de valor mais alto, vale checar se toda a documentação está em ordem: IPVA pago, licenciamento em dia, sem pendências de multa ou restrição judicial. Esses detalhes que ficam para depois costumam aparecer na hora errada, quando você mais precisa resolver rápido. Um despachante consulta isso por você, sem fila no Detran e com clareza sobre o que cada informação significa na prática.
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Perguntas frequentes sobre declaração de veículos ao TSE
Sim. A legislação eleitoral exige que candidatos declarem todos os bens patrimoniais ao TSE, incluindo veículos. A declaração é pública e pode ser consultada por qualquer cidadão no portal do TSE.
Porque o TSE aceita descrições genéricas para bens em alguns campos da declaração. Não há exigência legal de informar marca, modelo ou placa. Mas a vagueza chama atenção quando os valores são altos, já que a finalidade da declaração é justamente a transparência patrimonial.
Sim. A alíquota do IPVA incide sobre o valor venal, independente de quem seja o proprietário. Em São Paulo, por exemplo, a alíquota para carros de passeio é de 4%. Um carro avaliado em R$ 2 milhões gera um IPVA de R$ 80 mil por ano.
É possível consultar pelo RENAVAM no site do Detran do estado onde o veículo foi registrado. Mas a consulta completa, com débitos, restrições judiciais e situação do licenciamento, é mais eficiente feita por um despachante, que tem acesso a sistemas integrados e sabe interpretar cada informação.
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