Quase metade dos brasileiros recuou na compra de carro elétrico: o que está travando essa decisão

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Icone de tempo Atualizado em 21/07/2026 | Icone de calendário Publicado em 21/07/2026 |

Uma pesquisa da consultoria EY ouviu mil consumidores no Brasil e chegou a um número que resume bem o momento do mercado: 39% dos motoristas pretendem adiar ou reconsiderar a compra de um carro elétrico, e 11% já desistiram de vez. O principal motivo, citado por quem saiu do plano: a infraestrutura de recarga, que ainda não acompanhou o ritmo dos lançamentos.


Salve, motorista! O carro elétrico chegou ao Brasil com muito barulho nos últimos anos. Preços caindo, novos modelos chegando, e marcas chinesas disputando espaço nas concessionárias. Mas na hora de assinar o contrato, metade dos consumidores segurou o freio. E não é por teimosia ou desconhecimento. É porque comprar um elétrico sem ter onde carregá-lo é como comprar um carro flex que só abastece em um único posto do outro lado da cidade.

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Por que tantos brasileiros recuaram?

O levantamento faz parte da sexta edição do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI) da EY, realizado em 2025 com 21 mil respondentes em 32 países. No recorte brasileiro, a falta de infraestrutura aparece como a barreira central. Entre quem adiou ou desistiu, 36% citam a ausência de carregador em casa ou no trabalho. Isso inclui moradores de condomínios mais antigos, onde instalar um ponto de recarga pode depender de aprovação em assembleia e obras na rede elétrica.

33% mencionam a falta de estações públicas, 28% têm dúvidas sobre substituição da bateria e outros 28% apontam o custo inicial de compra. Mais adiante, 27% questionam a qualidade dos carregadores públicos existentes, 21% acreditam que elétricos são mais caros para reparar e 17% citam incertezas sobre autonomia e o custo de cada recarga.

São barreiras concretas. Quem mora em casa e consegue instalar um carregador na garagem vive uma realidade bem diferente de quem depende do condomínio ou de postos públicos para manter o carro funcionando no dia a dia.

Quem ainda quer comprar está de olho no bolso e no planeta

Do outro lado da conta, quem mantém a intenção de compra tem argumentos sólidos. 38% citam o aumento do custo dos combustíveis como fator decisivo, empatados com os 38% motivados por preocupações ambientais. Na sequência, 30% valorizam a maior autonomia dos modelos mais novos, 29% consideram o custo total de propriedade e 28% preferem o desempenho dos elétricos em relação aos carros a combustão.

Incentivos financeiros ainda têm peso menor, citados por 20% dos entrevistados. O que sustenta a decisão de compra, portanto, não é isenção de IPVA ou subsídio governamental. É conta no fim do mês e consciência ambiental.

O que um despachante vê nessa história toda

Olhando do nosso lado, a hesitação faz sentido. E não é só por causa dos carregadores.

A substituição da bateria, uma das preocupações citadas por 28% dos consumidores, pode trazer implicações no cadastro do veículo dependendo de como o procedimento é feito. É algo que raramente aparece na conversa da concessionária, mas que pode surgir quando você vai transferir o carro ou regularizar alguma pendência no Detran. Não é um bicho de sete cabeças, mas é um processo que precisa ser feito corretamente para não gerar problema depois.

Outro ponto que muita gente deixa passar: vários estados brasileiros oferecem isenção ou redução de IPVA para veículos elétricos, mas as regras variam bastante. Em São Paulo, por exemplo, elétricos têm alíquota reduzida. Quem não verifica antes de comprar pode perder um benefício real que faria diferença no custo total de propriedade que tanto motiva a compra.

A recomendação prática: antes de fechar a compra, verifique as regras do seu estado para IPVA, confirme se o condomínio permite instalação de carregador e pergunte à montadora ou importadora sobre os processos envolvidos na troca de bateria. Evitar surpresa depois que o carro já está emplacado no seu nome vale muito mais do que qualquer negociação no preço.

Marcas europeias lideram, chinesas avançam

Em preferência por origem de marca, o levantamento mostra que 76% dos brasileiros preferem marcas europeias, mantendo a liderança em todas as categorias. As marcas chinesas avançaram e já alcançam 24% da preferência, reflexo do crescimento de BYD, Caoa Chery e GWM no mercado nacional. Marcas americanas figuram com 62% e as asiáticas, excluindo China, com 59%.

Vale um alerta prático aqui: parte dos carros chineses vendidos no Brasil são importados diretamente, o que pode trazer particularidades no emplacamento e na assistência técnica, especialmente em cidades menores onde a rede autorizada ainda é limitada.

Intenção de compra em geral recuou 4% no Brasil

Além dos elétricos, a pesquisa mede a intenção de compra de veículos em geral. No Brasil, 68% dos consumidores declararam intenção de comprar um carro, queda de 4% em comparação com 2024. Entre os que planejam comprar, 64% pretendem fazer isso nos próximos 12 meses e 38% pensam em um prazo entre 13 e 24 meses.

É um mercado em cautela, não em colapso. E quem chega bem informado na hora de decidir, com os benefícios fiscais mapeados e a documentação em ordem, sai na frente.


Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:


Perguntas frequentes sobre carros elétricos no Brasil

Por que tantos brasileiros estão desistindo de comprar carro elétrico?

A principal razão é a falta de infraestrutura de recarga. Segundo pesquisa da EY, 36% dos consumidores apontam a ausência de carregador em casa ou no trabalho, e 33% citam a falta de estações públicas. A preocupação com substituição de bateria e o custo inicial de compra também pesam na decisão.

Carro elétrico tem isenção de IPVA?

Depende do estado. Vários estados brasileiros oferecem isenção total ou alíquota reduzida de IPVA para veículos elétricos, mas as regras variam. Em São Paulo, elétricos têm alíquota menor do que carros a combustão. Antes de comprar, vale verificar a legislação vigente no seu estado para não perder o benefício.

A troca de bateria de carro elétrico precisa ser comunicada ao Detran?

Depende do tipo de substituição e de como o procedimento é realizado. Em alguns casos, alterações no sistema de propulsão do veículo podem exigir atualização no cadastro. O ideal é consultar um despachante ou o próprio Detran do seu estado antes de realizar o procedimento para evitar irregularidades no documento do veículo.

Vale a pena comprar carro elétrico com a infraestrutura atual do Brasil?

Depende muito do seu perfil. Quem mora em casa com garagem e tem condições de instalar um carregador, e faz rotas dentro da autonomia do veículo, tende a sair ganhando no custo total de propriedade. Para quem vive em apartamento e depende de carregadores públicos, a conta ainda é mais incerta. Mapear sua rotina e a disponibilidade de infraestrutura na sua cidade é o primeiro passo antes de decidir.

Carros elétricos chineses têm alguma particularidade no emplacamento?

Carros importados diretamente da China passam pelo processo normal de emplacamento no Brasil, mas podem exigir atenção redobrada em alguns pontos, como homologação do modelo e disponibilidade de rede autorizada para assistência técnica. Em cidades menores, isso pode ser um problema prático depois da compra.

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