Carro elétrico ou a combustão: qual é mais confiável com mais de 150 mil km?

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Icone de tempo Atualizado em 30/09/2026 | Icone de calendário Publicado em 03/10/2026 |

Um estudo conduzido no Reino Unido com base em quase 50 milhões de inspeções veiculares concluiu que carros elétricos com alta quilometragem têm taxa de falha menor que os equivalentes a combustão. A vantagem é quase imperceptível no começo, mas cresce de forma consistente depois de 100 mil km rodados.

 
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Salve, motorista! A pesquisa foi conduzida pela consultoria New AutoMotive a pedido da BVRLA, a associação britânica de locação e leasing de veículos, e cruzou dados de 47,4 milhões de testes MOT, a inspeção técnica obrigatória no Reino Unido para veículos com mais de três anos. O recorte analisou carros de três a oito anos de uso, separando os resultados por faixa de quilometragem, não apenas por idade do veículo.

O que os números mostram na prática

Em percursos baixos, entre 32 mil e 64 mil km, a diferença é mínima: 12% de reprovação para elétricos contra 11,7% para combustão. Praticamente empatados.

O cenário muda a partir dos 145 mil km. Na faixa de 145 mil a 193 mil km, os elétricos têm taxa de reprovação de 16,5%, enquanto os carros a combustão chegam a 22,1%, uma diferença relativa de 25%. Acima de 193 mil km, a distância aumenta ainda mais: 16% para elétricos contra 23,5% para a combustão.

 
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A explicação é mecânica. Ben Nelmes, executivo-chefe da New AutoMotive, resume bem: a simplicidade do trem de força elétrico se torna cada vez mais valiosa à medida que os quilômetros se acumulam. Menos peças móveis significa menos pontos de desgaste, e isso vai aparecendo nos dados conforme o carro envelhece.

O que o teste britânico não avalia, e por que isso importa

Aqui está o detalhe que a maioria das manchetes sobre esse estudo deixa de lado. O teste MOT verifica freios, suspensão, iluminação e emissões, mas não avalia a saúde da bateria dos elétricos, que é exatamente o componente que mais preocupa quem pensa em comprar um usado. O estado do motor e da transmissão dos carros a combustão também fica fora da inspeção.

Então, quando o estudo diz que elétricos “passam mais”, ele está falando de um conjunto específico de itens de segurança e dirigibilidade. Uma bateria degradada que entrega só 60% da autonomia original passa tranquilamente no MOT. Isso não invalida os dados, mas muda a leitura: o elétrico pode ser mais confiável mecanicamente e ainda esconder um problema caro no pacote de baterias.

Freios e pneus: os pontos de atenção dos elétricos

O estudo identificou dois problemas mais frequentes nos elétricos. O primeiro são os pneus: elétricos registraram quase o dobro de defeitos nesse item em comparação com os carros a combustão, provavelmente pelo torque mais alto e o peso maior das baterias.

 
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O segundo são os freios em veículos com baixa quilometragem. Elétricos usam frenagem regenerativa com frequência, o que reduz o acionamento dos freios de fricção tradicionais. Com menos uso, as pastilhas e discos podem enferrujar antes do esperado. O paradoxo é real: o carro freia “menos” no dia a dia e, por isso, o sistema mecânico se deteriora mais rápido.

O que isso significa para quem quer comprar um elétrico usado no Brasil

O mercado de elétricos usados ainda é pequeno por aqui, mas cresce. Modelos como o BYD Dolphin Mini, o elétrico mais vendido no Brasil, já começam a aparecer no mercado secundário. O estudo britânico é um sinal positivo para quem considera essa compra.

Mas quem trabalha com transferência de veículos todos os dias sabe que comprar um elétrico usado tem uma camada extra de atenção que vai além do estado mecânico. Antes de qualquer coisa, verifique o histórico de débitos do veículo. IPVA atrasado, multas e taxas de licenciamento são responsabilidade de quem aparece como proprietário no sistema, e não necessariamente de quem está vendendo. Isso vale para qualquer carro, elétrico ou não, mas é um passo que muita gente pula na empolgação da compra.

Segundo, a saúde da bateria não vai aparecer em nenhum documento de transferência. Peça ao vendedor um relatório de diagnóstico do fabricante ou de uma oficina especializada antes de fechar negócio. Baterias com degradação acima de 20 ou 30% podem ter custo de substituição elevado e passam em qualquer vistoria padrão do Detran sem levantar suspeita. Se precisar de ajuda para verificar a situação documental do veículo ou fazer a transferência sem filas, um despachante resolve isso com agilidade.


Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:


Perguntas frequentes sobre confiabilidade de carros elétricos usados

Elétrico usado quebra menos que carro a gasolina?

De acordo com o estudo britânico, sim, especialmente acima de 145 mil km rodados. A taxa de reprovação nas inspeções técnicas é menor para elétricos com alta quilometragem, mas o levantamento não avalia a saúde da bateria, que é o componente mais caro do veículo.

O que verificar antes de comprar um carro elétrico usado?

Além do estado mecânico, verifique o histórico de débitos do veículo (IPVA, multas, licenciamento) e solicite um relatório de diagnóstico da bateria em uma oficina autorizada ou pelo fabricante. Baterias degradadas não aparecem na vistoria padrão.

A transferência de um carro elétrico é diferente da de um carro comum?

Não. O processo de transferência de propriedade segue o mesmo fluxo no Detran, independente da motorização. O que muda é a atenção redobrada com a condição da bateria antes de fechar o negócio, já que esse item não é verificado na vistoria.

Carros elétricos precisam de manutenção preventiva?

Sim, embora menos que os a combustão. Pneus, freios, fluido de freio, fluido de arrefecimento do sistema de bateria e suspensão continuam exigindo revisões periódicas. Os freios merecem atenção especial em elétricos pouco rodados, pois a frenagem regenerativa reduz o uso dos freios de fricção e pode causar corrosão prematura.

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