GM vendeu dados de motoristas sem consentimento e foi multada em US$ 12,75 milhões

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A General Motors lucrou cerca de US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 98 milhões) vendendo dados de geolocalização e comportamento de direção de motoristas americanos para empresas de corretagem de dados, sem avisar ninguém. A montadora foi punida com uma multa de US$ 12,75 milhões pelo Departamento de Justiça da Califórnia e vai ter que apagar esses registros. O caso acende um alerta importante sobre o que acontece com os dados que os veículos conectados coletam.

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Salve, motorista! A história toda envolve o OnStar, serviço de conectividade da GM que você provavelmente já viu no menu central de um Chevrolet. A função é útil de verdade: dá rotas, pode acionar socorro em caso de acidente, conecta o carro à central de atendimento.

O problema é que, enquanto fazia isso, o sistema também coletava nome, contato, localização e hábitos de direção, e a GM repassou tudo isso para duas empresas especializadas em análise de risco, a Verisk Analytics e a LexisNexis Risk Solutions.

Essas empresas não compraram os dados por acaso. O objetivo era criar um produto que avaliasse o perfil de cada motorista e fosse vendido para seguradoras, permitindo que elas usassem o comportamento ao volante para calcular prêmios de seguro. Ou seja: seu jeito de dirigir poderia encarecer sua apólice, e você nunca teria sabido o motivo.

O que a GM fez exatamente?

Entre 2020 e 2024, a General Motors repassou dados coletados pelo OnStar para a Verisk Analytics e a LexisNexis Risk Solutions. As informações incluíam nome, contato, localização precisa e padrões de direção de cada motorista assinante do serviço.

O que torna o caso mais grave é a contradição direta com a própria política de privacidade da montadora. A GM afirmava por escrito que não vendia dados de localização ou de direção e que, caso precisasse compartilhar esse tipo de informação com seguradoras, faria isso apenas com autorização expressa do consumidor. Na prática, nada disso aconteceu. Os dados foram vendidos sem aviso e sem consentimento.

A função envolvida foi o Smart Driver, que a GM descontinuou em 2024. Mas o período de coleta e venda abrange quatro anos de dados de motoristas reais.

Quem foi afetado, e quem escapou

A investigação do Departamento de Justiça da Califórnia concluiu que os motoristas daquele estado, especificamente, não sofreram aumento nos prêmios de seguro por causa da venda de dados. A razão é simples: a lei californiana proíbe que seguradoras usem dados de comportamento de direção para definir preços de apólices.

Motoristas de outros estados americanos não tiveram essa proteção. Lá, as seguradoras podem usar esse tipo de dado para precificar apólices, o que significa que parte desses motoristas pode ter pagado mais caro pelo seguro sem saber que o motivo era a venda de informações feita pela própria montadora do carro.

Qual é a punição e o que a GM terá de fazer agora

O acordo aprovado pela justiça californiana prevê três obrigações principais para a GM. Primeiro, o pagamento de US$ 12,75 milhões em multas civis.

Segundo, a exclusão de todos os dados de condução coletados, tanto pela montadora quanto pelas empresas que os compraram, exceto em casos de uso interno muito específico. Terceiro, a implementação de um programa de privacidade robusto, com relatórios periódicos ao Departamento de Justiça, ao Ministério Público e à CalPrivacy, a agência californiana de proteção de dados.

Este não é o primeiro capítulo da história. Em janeiro de 2025, a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) já havia proibido a GM de compartilhar dados de localização e direção de clientes por cinco anos, após investigação federal que identificou a coleta e venda de informações de milhões de consumidores. A nova punição da Califórnia vem na sequência desse processo.

E no Brasil, o motorista está protegido?

O Brasil tem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que exige consentimento claro e específico para coleta e compartilhamento de dados pessoais. Na teoria, uma prática como a da GM seria ilegal por aqui. Na prática, a fiscalização ainda é limitada e o consumidor raramente sabe o que os aplicativos e serviços conectados de seu veículo fazem com as informações geradas.

O que você pode fazer agora: revise as configurações de privacidade dos aplicativos conectados ao seu carro, leia (ao menos por cima) as políticas de uso dos serviços de conectividade que você usa e fique atento a comunicações das montadoras sobre coleta de dados.

Se o serviço não deixar claro o que faz com suas informações, isso já é um sinal de alerta.


Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:


Perguntas frequentes sobre venda de dados de motoristas

O OnStar coleta dados dos motoristas brasileiros?

O OnStar está presente em alguns modelos Chevrolet vendidos no Brasil. A coleta de dados por serviços de conectividade é uma prática global, mas no Brasil ela é regulada pela LGPD, que exige consentimento claro do usuário. O ideal é consultar a política de privacidade do serviço e, se não estiver usando, desativar as funções de conectividade do veículo.

A GM pode usar meus dados de direção para afetar meu seguro?

No Brasil, não existe uma regra federal que proíba seguradoras de usar dados de comportamento de direção para precificação, mas qualquer coleta e compartilhamento desse tipo de dado precisa de consentimento explícito do consumidor, conforme a LGPD. Se você aderiu a algum programa de monitoramento de direção oferecido pela seguradora ou pela montadora, revise os termos que assinou.

O que é o Smart Driver da GM?

O Smart Driver era uma função do OnStar que monitorava o comportamento do motorista, como aceleração brusca, frenagem e velocidade. A GM usou os dados coletados por essa função para vender para empresas de corretagem de risco entre 2020 e 2024. A função foi descontinuada em 2024, após as investigações nos Estados Unidos.

Como protejo meus dados em um carro conectado?

Revise as configurações de privacidade no painel do veículo e no aplicativo oficial da montadora. Desative funções de conectividade que você não usa. Leia (ao menos resumidamente) os termos de uso de qualquer serviço que exija criação de conta. E fique atento a comunicações da montadora sobre atualizações na política de privacidade, que muitas vezes passam despercebidas.

A multa de US$ 12,75 milhões é suficiente para a GM?

A GM lucrou cerca de US$ 20 milhões com a venda de dados e foi multada em US$ 12,75 milhões, o que significa que, em termos financeiros, a punição não cobre o lucro obtido. Além do valor, a montadora terá que apagar os dados coletados e criar um programa interno de privacidade com auditorias periódicas, o que representa um custo operacional adicional e um compromisso de longo prazo.

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