Falha na maçaneta da Toyota Hilux facilita furto silencioso sem alarme: veja quais modelos estão em risco

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Icone de tempo Atualizado em 08/06/2026 | Icone de calendário Publicado em 08/06/2026 |

Uma falha de projeto na Toyota Hilux está sendo explorada por criminosos em todo o Brasil. Segundo investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, uma chave de fenda inserida na maçaneta é suficiente para abrir a picape sem acionar nenhum alarme, em menos de dois minutos. Entre janeiro e abril de 2026, 34 unidades de Hilux e SW4 foram furtadas só no Mato Grosso do Sul com esse método.


Salve, motorista! O problema não é novo, mas ganhou escala. A Polícia Civil do MS identificou a vulnerabilidade depois de prender uma quadrilha especializada em setembro de 2025 — e o que chamou atenção foi a preferência pelo modelo: quase todas as picapes tinham sido fabricadas entre 2016 e 2022, com 69% delas de 2019 em diante. Uma chave de fenda comprida e fina, do tipo 5/16 x 14″, encontrada com os suspeitos deu a pista de como eles entravam nos carros.

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Como funciona a falha no sistema da porta

A Hilux tem um sistema de “chave inteligente” que destrava as portas automaticamente quando o motorista, com a chave no bolso, se aproxima do veículo. O circuito que faz isso funcionar fica acessível dentro da maçaneta, e é aí que está o problema.

Ao inserir a chave de fenda no interior da maçaneta, o criminoso consegue fazer um contato direto no circuito. O carro interpreta esse contato como o sinal da chave original e destrava as portas sem acionar o alarme, como se o sistema fosse enganado a acreditar que o dono chegou. O acesso não deixa marcas evidentes de arrombamento, o que complica até a perícia.

Com a porta aberta, a segunda etapa é ligar o motor. Quadrilhas usam computadores capazes de reprogramar chaves genéricas para dar a partida contornando a proteção eletrônica de fábrica. Esses equipamentos chegaram a custar até R$ 30.000, mas o relatório da polícia alerta que versões similares passaram a ser vendidas por menos de R$ 5.000 em plataformas digitais a partir de 2025.

Quais modelos estão mais expostos

Os dados da investigação apontam para Hilux e SW4 fabricadas entre 2016 e 2022 como as mais visadas. O corte nos anos mais recentes pode estar relacionado a atualizações de software lançadas pela Toyota para modelos mais novos, algo que fabricantes costumam fazer discretamente quando identificam brechas desse tipo.

Isso não significa que carros de 2023 em diante estejam necessariamente protegidos. A vulnerabilidade física na maçaneta pode existir em versões mais recentes também. A Toyota foi procurada pela reportagem da Autoesporte e não se pronunciou sobre o caso.

O problema chegou a 8 estados e já gerou prejuízo milionário

A escala do furto de Hilux no Brasil vai muito além da fronteira com o Paraguai. Em 2025 e 2026, forças policiais desarticularam quadrilhas especializadas na picape em pelo menos 8 estados. Em Minas Gerais, 80 picapes desapareceram só em janeiro de 2025. No Distrito Federal, a Operação Império mapeou R$ 16 milhões em prejuízos ligados ao furto de 53 unidades de Hilux e SW4. Os veículos são revendidos no Brasil, na Argentina e no Chile.

O setor já reagiu. Desde julho de 2023, estacionamentos pagos em algumas cidades passaram a instalar travas de roda automaticamente em qualquer Hilux, sem precisar de autorização do dono. Grandes redes de varejo adotaram a mesma medida nas suas áreas de parada.

Como proteger sua Hilux agora

A recomendação de especialistas em segurança veicular é combinar pelo menos três camadas de proteção. Nenhuma garante segurança absoluta, mas cada obstáculo a mais desestimula o criminoso, que prefere alvos mais fáceis.

A primeira é um imobilizador pós-mercado com PIN integrado à rede CAN do veículo, que exige um código extra para dar a partida mesmo que a chave seja clonada. A segunda é um rastreador homologado pela seguradora, que facilita a localização em caso de furto e pode reduzir o valor do seguro. A terceira, e a mais visível, é uma trava física de volante ou roda: aumenta o tempo necessário para levar o carro, o que afasta quem precisa agir rápido.

Evite deixar a picape em locais mal iluminados e afastados por períodos longos. O caso do agrônomo Daniel Rocha, que teve sua Hilux 2021 furtada em menos de dois minutos em um estacionamento escuro próximo a Ponta Porã (MS), mostra que o tempo de ação dos criminosos é mínimo. “Foi tudo tão discreto que, quando olhei de novo, ela já tinha sumido”, disse ele à Autoesporte.

O que muda para quem passa pelo furto

Quando uma Hilux é furtada, além do transtorno com o seguro, o proprietário enfrenta uma sequência de processos burocráticos: registro de boletim de ocorrência, comunicação ao Detran para bloqueio do veículo, acompanhamento do sinistro com a seguradora e, dependendo do desfecho, a baixa do CRLV ou o processo de indenização com transferência do bem para a seguradora.

Se o carro for recuperado com danos estruturais, a documentação pode precisar de atualização no Detran. Em casos onde o veículo cruzou fronteiras, como é comum nesse tipo de furto, podem aparecer pendências no histórico que precisam ser resolvidas antes de qualquer nova transferência. Um despachante experiente conhece esse caminho e evita que o proprietário perca tempo indo de guichê em guichê sem saber por onde começar. Vale acionar um profissional logo depois de registrar o BO, não depois que as pendências já viraram bola de neve.


Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:


Perguntas frequentes sobre furto de Hilux

Quais anos de Hilux têm a falha na maçaneta?

As investigações da Polícia Civil do MS identificaram Hilux e SW4 fabricadas entre 2016 e 2022 como as mais visadas, com 69% dos furtos envolvendo modelos de 2019 em diante. Modelos mais recentes podem ter recebido atualizações de software que dificultam o método, mas a Toyota não confirmou oficialmente nenhuma correção.

A Toyota vai fazer recall para corrigir o problema?

Até o momento, a Toyota não se pronunciou sobre a falha nem anunciou recall. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul formalizou a investigação e detalhou o método em relatório oficial, mas não houve resposta da montadora.

O que fazer imediatamente se minha Hilux for furtada?

Registre o boletim de ocorrência o quanto antes, de preferência na delegacia mais próxima ou pela internet, dependendo do estado. Em seguida, comunique a seguradora e solicite o bloqueio do veículo no Detran. Se precisar de apoio na parte documental, como acompanhamento do processo de sinistro ou regularização pós-recuperação, um despachante pode agilizar o caminho.

Trava de volante realmente ajuda a proteger contra esse tipo de furto?

Sim. A trava de volante não impede a entrada no carro, mas dificulta a etapa de ligar o motor e sair com ele. Combinada com um imobilizador com PIN e um rastreador, ela aumenta o tempo necessário para consumar o furto, o que desestimula criminosos que precisam agir rápido para não serem flagrados.

Meu seguro cobre furto feito com esse método?

Em geral, sim. Seguros contra furto cobrem o método independentemente da técnica usada, desde que haja boletim de ocorrência registrado. Verifique as condições do seu contrato, especialmente cláusulas sobre negligência ou uso de equipamentos de rastreamento como requisito para cobertura total.

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