Condomínio não pode mais barrar carregador elétrico em SP, mas instalar custa até R$ 12 mil e envolve AVCB
Em São Paulo, síndicos e assembleias de condomínio perderam o direito de vetar sem justificativa a instalação de carregadores elétricos nas vagas dos moradores. A lei 18.403 já está em vigor no estado, mas isso não significa que o processo ficou simples: o custo pode chegar a R$ 12 mil, a documentação envolve laudos técnicos e normas da ABNT, e um detalhe sobre o AVCB dos Bombeiros pode pegar muita gente de surpresa.
Salve, motorista! Se você tem um carro elétrico ou está pensando em comprar um e mora em prédio, a notícia é boa, mas vem com asterisco. Antes, bastava o síndico dizer não. Agora, a recusa precisa de justificativa técnica documentada. O problema é que a instalação ainda depende de análise de carga, obras de cabeamento e adequação às normas de segurança. Tudo isso custa, leva tempo e, se for feito errado, pode comprometer a renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros do prédio.
O que a nova lei paulista mudou na prática
Até recentemente, um condomínio em São Paulo podia votar contra a instalação de um carregador elétrico na vaga de um morador sem apresentar qualquer justificativa. Com a nova legislação estadual, isso acabou. A proibição arbitrária está vedada. Para negar a instalação, o condomínio precisa de um documento com motivos técnicos, como a impossibilidade elétrica do prédio ou risco à estrutura.
Antes de qualquer instalação individual, o condomínio é obrigado a realizar uma análise de carga. Durante sete dias, um equipamento verifica o consumo e a tensão elétrica do prédio para determinar quantos carregadores a rede suporta. Esse laudo custa entre R$ 3 mil e R$ 15 mil e fica por conta do condomínio. É ele que vai embasar qualquer decisão técnica do síndico a partir de agora.
Quanto custa instalar um carregador na sua vaga
O custo para o morador depende da distância entre o quadro elétrico e a vaga. Instalações de até 5 metros custam em torno de R$ 5 mil. Para 100 metros de cabeamento, o valor pode chegar a R$ 12 mil. Se o condomínio não entrar com parte da infraestrutura compartilhada, o morador pode pagar até três vezes mais do que pagaria numa casa.
Existe ainda o chamado furo técnico: quando o cabeamento precisa atravessar lajes, um engenheiro precisa ser contratado para garantir que a estrutura do prédio não será comprometida. Esse serviço pode dobrar o valor total da instalação. Com análise de carga e furo técnico juntos, é fácil ultrapassar os R$ 20 mil.
Uma saída que alguns condomínios têm adotado é arcar com a infraestrutura até um quadro central, deixando cada morador instalar o próprio ponto a partir daí. Isso reduz o custo individual e garante padrão técnico. Há também empresas que oferecem a infraestrutura do prédio sem custo inicial, cobrando conforme os moradores aderem ao sistema.
A armadilha do AVCB que poucos percebem
Aqui está o ponto que quem trabalha com documentação de imóveis e veículos conhece bem, e que a maioria dos moradores não vê vindo. O Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, o AVCB, precisa ser renovado periodicamente pelos condomínios. Desde 2025, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros publicou uma diretriz orientando como os pontos de recarga elétrica devem ser instalados. O documento não tem força de lei, mas precisa ser seguido para que o AVCB seja renovado.
Na prática, isso significa que um condomínio que instala carregadores elétricos sem seguir as exigências de segurança pode ter a renovação do AVCB negada até regularizar a situação. E sem AVCB em dia, o prédio opera em irregularidade. Os Bombeiros de São Paulo ainda vão definir um modelo de atestado específico para carregadores, assinado por engenheiro responsável, parecido com o que já existe para geradores.
A recomendação prática é clara: antes de aprovar qualquer instalação em assembleia, o síndico deve consultar um engenheiro elétrico e verificar o alinhamento com as diretrizes dos Bombeiros. Fazer isso depois da instalação custa mais e pode travar a renovação do AVCB do prédio inteiro.
O que o condomínio pode e não pode exigir de você
A nova lei não elimina as exigências técnicas. Ela proíbe as recusas sem fundamento. O condomínio ainda pode exigir que o morador siga normas da ABNT, cumpra as regras de segurança e assuma os custos individuais da instalação. Pode criar regras sobre responsabilidade por danos causados pelo ponto de recarga.
O que a lei veda é a atribuição automática de culpa. Uma convenção condominial não pode simplesmente dizer que o dono do elétrico é responsável por “todo e qualquer incêndio” na garagem sem apuração técnica da causa. Para quem está negociando a aprovação em assembleia, vale guardar isso como argumento. Síndicos mais resistentes costumam usar o risco de incêndio como pretexto para barrar, mas a lei é clara: qualquer exigência precisa ter base técnica proporcional.
Por que isso vai importar em todo o Brasil em breve
São Paulo lidera, mas o resto do país deve seguir. Uma projeção da consultoria BCG para a Anfavea indica que 65% das vendas de carros 0 km no Brasil serão de veículos eletrificados até 2035. Quase nenhum prédio construído antes de 2020 foi pensado para isso. A pressão dos moradores por pontos de recarga vai crescer, e outros estados tendem a criar legislações parecidas.
Para quem compra um elétrico hoje ou planeja comprar, vale verificar antes a situação elétrica do prédio e se o condomínio está disposto a fazer a análise de carga. Prédios muito antigos podem ter custos de adequação que passam de R$ 500 mil, tornando a solução inviável por enquanto. Saber disso antes da compra evita uma dor de cabeça cara depois.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre carregador elétrico em condomínio
Não, desde que o morador cumpra as normas técnicas e arque com os custos. A nova lei paulista proíbe a recusa arbitrária. Para negar a instalação, o condomínio precisa apresentar um documento com justificativa técnica, como incapacidade elétrica do prédio.
O condomínio. A análise de carga, que dura sete dias e custa entre R$ 3 mil e R$ 15 mil, é obrigação do condomínio antes de qualquer instalação individual de carregador.
Com a análise de carga pronta e todos os passos de assembleia cumpridos, a instalação do carregador pode ser concluída entre 20 e 30 dias.
O AVCB é o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, um documento obrigatório para prédios que precisa ser renovado periodicamente. Desde 2025, as diretrizes dos Bombeiros para instalação de carregadores elétricos precisam ser seguidas para que a renovação seja aprovada. Instalações fora do padrão podem travar o AVCB do prédio inteiro.
Depende da distância entre o quadro elétrico e a vaga. Instalações de até 5 metros custam em torno de R$ 5 mil. Para 100 metros de cabeamento, o valor pode chegar a R$ 12 mil. Se houver necessidade de furo técnico nas lajes, o custo pode dobrar.
Qual a sua nota para este texto?
Clique nas estrelas
Nota 0,0 / 5 de 0 avaliação

Deixe um comentário