BYD e GWM: como as duas chinesas disputam o mercado brasileiro em 2026
Em 2026, até julho, BYD e GWM somadas emplacaram 166.990 veículos no Brasil, quase o mesmo volume da GM no mesmo período (169.927 unidades). A BYD está em 4º lugar geral, com 122.475 emplacamentos. A GWM ocupa a 10ª posição, com 44.515 unidades. As marcas chegaram ao Brasil no mesmo ano, mas escolheram caminhos completamente diferentes para crescer.
Salve, motorista! Pode parecer assunto de especialista em mercado, mas entender o que BYD e GWM estão fazendo interessa a qualquer um pensando em comprar um carro, seja zero ou seminovo. Juntas, as duas já emplacaram mais de 458 mil veículos desde 2023, e o mercado de revenda dessas marcas começa a se movimentar de verdade.
Como BYD e GWM cresceram ano a ano no Brasil
As duas marcas entraram no ranking das 21 mais vendidas no mesmo ano, 2023. A BYD estreou com Song Plus e Dolphin, a GWM com Haval H6 e o elétrico Ora 03. Os pontos de partida foram próximos: 17.937 unidades para a BYD (15ª posição) e 11.479 para a GWM (18ª). Dali em diante, a distância só cresceu.
A BYD fechou 2024 com 76.811 emplacamentos e chegou à 10ª posição. Em 2025, ultrapassou 100 mil unidades no ano, terminando em 8º lugar. Em 2026, já na 4ª colocação com os dados de julho. A GWM cresceu de forma consistente, mas em ritmo diferente: 29.219 em 2024, 42.784 em 2025, e 44.515 até julho de 2026. No total desde 2023, a BYD acumula 330.037 veículos contra 127.997 da GWM.
Quem quer acompanhar o desempenho mensal de cada modelo dessas marcas pode consultar a ferramenta de carros mais vendidos do Brasil, que atualiza o ranking com os dados mais recentes da FENABRAVE.
Por que a BYD vende mais: volume e preço acessível
A estratégia da BYD é aumentar catálogo e reduzir a barreira de entrada. A marca lançou híbridos e elétricos em faixas cada vez mais acessíveis: família Dolphin, Song Pro, King, e em breve o Atto 2. O Dolphin Mini já aparece próximo dos R$ 100 mil em ações comerciais. Com mais modelos, mais concessionárias e preços competitivos, a BYD construiu volume sem depender de um único carro.
GWM aposta em menos modelos e maior valor agregado
A GWM fez o movimento contrário. O modelo mais barato da marca no Brasil é o Ora 03, que começa em R$ 169 mil. O catálogo é menor, mas o ticket médio é maior, e a empresa mira quem compraria Toyota, Jeep ou até BMW e Volvo.
Uma das apostas mais distintas da GWM foi o mercado agro. Com o Haval H9 e o Poer P30, ambos com motor a diesel, a marca entrou em um território dominado por Toyota e Chevrolet. O resultado foi crescimento consistente sem precisar baixar preços para competir. Em 2026, a GWM chegou ao top 10 pelo período mais longo da sua história no Brasil.
O que o despachante já percebe na prática
Com mais de 450 mil carros de BYD e GWM circulando no Brasil desde 2023, o volume de transferências, financiamentos e revendas dessas marcas começa a aparecer no dia a dia de quem trabalha com documentação veicular. E dois pontos merecem atenção antes de fechar negócio.
O processo de transferência no Detran é idêntico ao de qualquer outro veículo. Não existem taxas especiais nem exigências diferentes por ser marca importada. O que pode variar é o prazo de laudo de vistoria em alguns estados, mas isso depende da estrutura do Detran local, não da origem do carro.
O ponto que realmente merece pesquisa é a rede de assistência técnica autorizada. Marcas que cresceram rápido ainda têm concessionárias concentradas nos grandes centros. Quem mora fora dos eixos São Paulo, Rio e capitais regionais deve verificar se existe assistência habilitada na região antes de comprar, principalmente em veículos elétricos e híbridos, que dependem de equipamentos específicos para manutenção. Um problema de software ou bateria resolvido na capital pode virar um deslocamento longo fora dela.
O que esperar do segundo semestre de 2026
Até julho, as duas já ultrapassaram os resultados inteiros de 2025. Novos lançamentos e atualizações de modelos estão confirmados para o segundo semestre, mas sem mudança de rota. BYD segue no volume com preços competitivos, GWM continua subindo na cadeia em busca do segmento premium.
O mercado chinês como um todo ficou mais populoso. Geely está em 14º lugar, Omoda Jaecoo em 15º e GAC em 21º em 2026. BYD e GWM partem com vantagem de rede e reconhecimento de marca, o que deve mantê-las na liderança entre as marcas da China no Brasil por mais um bom tempo.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre BYD e GWM no Brasil
Depende do perfil. A BYD tem mais modelos em faixas mais acessíveis, com opções próximas dos R$ 100 mil. A GWM tem catálogo menor, mas veículos mais equipados e posicionados em um segmento mais alto, a partir de R$ 169 mil. Para quem busca custo-benefício e variedade, a BYD tem mais opções. Para quem quer um produto premium com DNA chinês competindo com Toyota e Jeep, a GWM faz mais sentido.
Ainda é cedo para dados definitivos, já que BYD e GWM chegaram ao Brasil apenas em 2023. O que se observa é que modelos com maior volume de vendas e rede ampla de assistência técnica tendem a manter melhor o valor de revenda. A BYD, por ter mais modelos vendidos e rede maior, pode ter vantagem nesse ponto em relação a marcas chinesas que chegaram depois.
Não. A transferência de veículos dessas marcas segue exatamente o mesmo processo de qualquer outro carro. Documentação, taxas e prazos são definidos pelo Detran estadual, sem distinção por origem do veículo. A única variação possível é no prazo de vistoria em regiões com menor disponibilidade de vistorias credenciadas, o que não é exclusividade das marcas chinesas.
Esse é um ponto de atenção real. Veículos elétricos e híbridos exigem equipamentos e técnicos específicos para manutenção. Tanto BYD quanto GWM ainda têm redes de concessionárias concentradas nas grandes cidades. Quem mora no interior deve verificar se há assistência autorizada na sua região antes de comprar, para evitar deslocamentos longos em caso de manutenção ou acionamento de garantia.
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