Venda direta: quase metade dos carros novos não vai para o consumidor comum, mas o varejo puxa o crescimento de 2026
De janeiro a setembro de 2026, 44,6% dos automóveis emplacados no Brasil saíram por venda direta, segundo a FENABRAVE. São cerca de 771 mil carros que foram para locadoras, frotas de empresas, taxistas, compradores PCD e produtores rurais, e não para o consumidor comum que entra numa concessionária. Mas, em 2026, quem puxou o crescimento do mercado foi justamente esse consumidor: as vendas no varejo cresceram cerca de 26%, contra cerca de 18,5% da venda direta.
Salve, motorista! Quando você vê o ranking de carros mais vendidos do Brasil, está olhando para dois mercados misturados. Separar os dois muda bastante a leitura de quem está ganhando espaço, e ajuda até quem pensa em comprar um seminovo daqui a alguns anos.
O que é venda direta
Venda direta é o nome que a FENABRAVE dá às vendas faturadas pela própria fábrica, e não pela concessionária. Nesse grupo entram locadoras e frotistas, mas também compradores com incentivo fiscal, como pessoas com deficiência (PCD), taxistas e produtores rurais. O varejo é o resto: a venda feita pela concessionária para o consumidor comum.
Quase metade, e não é de agora
A divisão entre os dois canais é parecida há anos:
| Ano | Venda direta | Varejo |
| 2024 | 45,0% | 55,0% |
| 2025 | 47,2% | 52,8% |
| 2026 (jan a set) | 44,6% | 55,4% |
Ou seja, em 2026 o varejo ganhou espaço. Com o mercado de automóveis crescendo 22,5% no ano, a venda ao consumidor comum passou de cerca de 761 mil unidades entre janeiro e setembro de 2025 para cerca de 958 mil no mesmo período deste ano.
As locadoras compram 1 em cada 4 carros novos
O maior cliente da venda direta são as locadoras. Segundo a Abla, associação que reúne as empresas do setor, elas compraram 628,9 mil veículos em 2025, cerca de um em cada quatro carros novos vendidos no país. A frota total das locadoras chegou a 1,7 milhão de veículos, com idade média de 16,4 meses.
Para 2026, a própria Abla previa comprar um pouco menos, cerca de 620 mil veículos, queda de 1,4%. O motivo apontado foram os juros altos, que encarecem o financiamento das frotas. É uma das explicações para a venda direta ter crescido menos que o varejo este ano.
Os chineses vendem quase só para o consumidor comum
A outra explicação está nas marcas chinesas, que mais cresceram em 2026. No acumulado do ano, os modelos chineses representam 34,7% das vendas entre os 50 carros mais vendidos no varejo. Na venda direta, são só 6,7%.
As locadoras ainda compram pouco das marcas novas. A Localiza fechou um acordo com a BYD para comprar até 10 mil veículos em dois anos, mas a Movida, por exemplo, tem cerca de mil híbridos na frota, a maioria da GWM, e diz ser cautelosa com as novas marcas. Enquanto isso, quem compra Dolphin Mini, Haval H6 ou EX2 é, na maior parte, o consumidor comum.
A diferença aparece com clareza quando se olha quanto das vendas de cada modelo veio da venda direta em 2026:
| Modelo | Vendas no ano | % por venda direta |
| Fiat Mobi | 50.667 | 98% |
| VW Virtus | 24.549 | 81% |
| Hyundai HB20S | 25.443 | 78% |
| GM Onix Plus | 34.215 | 76% |
| Fiat Argo | 72.053 | 73% |
| VW Polo | 85.998 | 66% |
| VW Tera | 70.645 | 50% |
| BYD Dolphin Mini | 60.606 | 23% |
| GWM Haval H6 | 38.674 | 22% |
| Toyota Yaris Cross | 30.370 | 18% |
| BYD Dolphin | 35.399 | 13% |
| Geely EX2 | 29.197 | 4% |
O VW Polo, carro mais vendido do país, teve dois terços das vendas pela venda direta. Já o Geely EX2 foi vendido quase todo ao consumidor final.
Em setembro, a venda direta voltou a ganhar espaço
O movimento do ano não é uma linha reta. Em setembro, a fatia da venda direta subiu de 43,4% para 46,3% dos automóveis, e o canal vendeu cerca de 100 mil carros, contra 92 mil em agosto. Já o varejo encolheu no mesmo mês.
Parte disso tem explicação conhecida. No fim de agosto, a Fiat cortou em até R$ 19.591 o preço do Pulse 2026 em estoque para o público PCD, e as vendas diretas do modelo cresceram 76% em setembro. Setembro foi um mês de troca de ano-modelo em várias marcas, com Pulse, Kwid e Renegade já na linha 2027, e a venda direta é um dos caminhos para escoar o estoque antigo.
O que isso significa pra quem está comprando
Primeiro, o ranking geral de carros mais vendidos não mostra só a escolha do consumidor. Um modelo pode liderar porque as locadoras compram muito dele. Se você quer saber o que outras pessoas estão escolhendo para a própria garagem, o ranking do varejo é mais representativo.
Segundo, a venda direta de hoje é o seminovo de amanhã. As locadoras renovam a frota rápido, e os carros voltam ao mercado de usados em volume depois de um ou dois anos. Modelos como Mobi, Onix Plus, HB20S e Argo tendem a ter muita oferta de ex-locadora no futuro. Isso costuma ajudar no preço, mas pede atenção ao histórico de uso e de manutenção antes de fechar negócio.
Terceiro, se você é PCD, taxista ou produtor rural, a venda direta também é o seu canal. Os modelos que lideram esse ranking costumam ter mais condições especiais nas concessionárias.
Saiba mais
Os números de todos os modelos, mês a mês, estão na ferramenta de carros mais vendidos do Brasil. Para ver o ranking da venda direta de setembro, leia o ranking do atacado de setembro.
Perguntas frequentes
É a venda faturada diretamente pela fábrica, sem passar pela concessionária como vendedora. Inclui locadoras, frotistas, taxistas, pessoas com deficiência (PCD) e produtores rurais.
Em 2026, de janeiro a setembro, 44,6% dos automóveis emplacados no Brasil saíram por venda direta. Em 2025, foram 47,2%.
O VW Polo, com 57.012 unidades por venda direta de janeiro a setembro de 2026, seguido por Fiat Argo e Fiat Mobi.
Segundo a Abla, as locadoras compraram 628,9 mil veículos em 2025, cerca de um em cada quatro carros novos vendidos no país.
Qual a sua nota para este texto?
Clique nas estrelas
Nota 0,0 / 5 de 0 avaliação
Deixe um comentário