Razuk preso por rifas ilegais de carros: o que acontece com os veículos apreendidos e o risco para quem participou
O influenciador Eduardo Razuk foi preso no dia 18 de agosto de 2026 em Campo Grande (MS), investigado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias. A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul apreendeu 22 veículos avaliados entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, incluindo Porsches, BMWs e modelos raros da Volkswagen. O caso vai além de uma prisão de influencer: levanta uma pergunta que muita gente preferiu não fazer enquanto comprava cota, que é o que acontece com quem participou das rifas.
Salve, motorista. Se você já se deparou com um sorteio de carro na internet e pensou “parece legal, tem empresa autorizada por loteria estadual”, saiba que esse foi exatamente o argumento que Razuk usou por anos. E, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, não importa o quanto a operação pareça estruturada: rifa é rifa, e segue sendo contravenção penal no Brasil.
Como o esquema funcionava
De acordo com a Polícia Civil, o grupo ligado a Razuk movimentou mais de R$ 100 milhões em apenas seis meses e realizou mais de 100 sorteios desde 2019. Os prêmios principais eram carros de luxo, mas também havia celulares e valores pagos em Pix.
A estrutura foi mudando ao longo do tempo. No começo, Razuk usava resultados da Loteria Federal como referência para definir vencedores e chegou a abrir empresas para isso. Depois, como outros influenciadores que operam nesse mercado cinza, passou a vender produtos de baixo valor, como adesivos, que davam ao comprador um número para participar dos sorteios. A ideia era se enquadrar como promoção comercial. O Ministério da Fazenda já havia alertado que vender um produto apenas como pretexto para cobrar pela participação no sorteio poderia configurar desvirtuamento da promoção.
A partir de 2025, o grupo adotou um novo caminho. Passou a operar por meio de uma empresa credenciada pela Lotep, a Loteria do Estado da Paraíba. No papel, a empresa FM Agenciamento Publicitário & Intermediação de Negócios tinha autorização formal. Razuk aparecia como simples “divulgador”. O sorteio, formalmente, era um produto da empresa, não uma rifa do influencer.
Por que a licença da Paraíba não tornava as rifas legais
Em dezembro de 2025, a Paraíba alterou sua lei de loterias para permitir a venda de produtos lotéricos pela internet, inclusive com apostas consideradas feitas no estado mesmo quando o apostador está em outro lugar do Brasil. Para alguns grupos, pareceu uma saída.
Para a Polícia Civil, porém, a estrutura era uma fachada: a empresa paraibana aparecia formalmente como responsável pelos sorteios, enquanto Razuk seria, na prática, o verdadeiro organizador. A SPA, Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, é direta: rifas são proibidas no Brasil e configuram contravenção penal. A única exceção é para entidades filantrópicas, com regras específicas. Ter uma loteria estadual como guarda-chuva não transforma uma rifa em operação autorizada.
A defesa de Razuk nega qualquer irregularidade e afirma que os sorteios eram legalizados. Mas o inquérito foi concluído com indiciamento por lavagem de dinheiro, associação criminosa, publicidade enganosa e exploração ilegal de loteria.
O que acontece com os carros apreendidos e com quem participou
Os 22 veículos apreendidos estão em depósito com restrição judicial. Não podem ser transferidos enquanto o processo estiver em andamento. Nenhuma operação de transferência no Detran passa por cima de uma restrição desse tipo, independente de quem segure o documento do carro na mão.
Quem comprou cotas e não ganhou nada dificilmente vai recuperar o dinheiro. Operações investigadas por lavagem raramente têm mecanismo formal de reembolso, e os valores já circularam por estruturas comprometidas. Quem eventualmente “ganhou” um carro enfrenta um problema diferente: se o veículo vier de uma operação que a Justiça considerar ilegal, a documentação pode ser questionada e a transferência para o nome do vencedor, bloqueada.
O que quem trabalha com documentação vê nessa história
Quem lida com transferência de veículos no dia a dia reconhece os sinais de alerta antes mesmo de qualquer operação policial. Carros “sorteados” sem comprovante claro de origem, ATPV preenchida às pressas, CRVL com histórico inconsistente. São documentos que chegam ao Detran com irregularidades que não aparecem de cara, mas que travam qualquer movimentação. E quando travam, o problema vira do novo dono, não de quem sorteou.
Se você participou de alguma rifa de Razuk, ou de qualquer operação similar, e tem documentação pendente de um veículo ganho nesses sorteios, o primeiro passo é verificar se o carro tem restrição judicial, pendência de multas em nome anterior ou bloqueio no Renajud, antes de tentar qualquer movimentação. Tentar registrar um veículo com esse histórico sem esse levantamento prévio pode travar o processo por meses, ou inviabilizá-lo por completo.
E para quem ainda está pensando em participar de rifas de carros pela internet: o risco não está só em perder o valor do bilhete. Está também em “ganhar” um carro que nunca vai conseguir transferir para o próprio nome.
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Perguntas frequentes sobre rifas de carro pela internet
Sim. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, rifas, entendidas como venda de bilhetes ou cotas para concorrer a um prêmio, são proibidas no Brasil e configuram contravenção penal. A única exceção prevista na legislação é para sorteios de entidades filantrópicas, com regras específicas.
Ficam em depósito com restrição judicial enquanto o processo estiver em andamento. Isso significa que nenhuma transferência é possível pelo Detran durante esse período. Dependendo do desfecho do processo, os bens podem ser leiloados pelo Estado ou devolvidos aos envolvidos.
Depende de como o sorteio foi operado. Se a Justiça considerar a operação ilegal, o veículo pode ter restrição judicial e a transferência para o nome do vencedor pode ser bloqueada. Antes de tentar qualquer movimentação, é recomendável verificar a situação do carro no Detran e no Renajud, e consultar um despachante.
É difícil para o consumidor comum avaliar isso. A presença de uma empresa autorizada por loteria estadual não garante automaticamente que a operação está dentro da lei, como o caso Razuk demonstrou. A regra geral da SPA é que rifas são proibidas. Operações que vendem cotas, números ou bilhetes para concorrer a prêmios se enquadram nessa definição, independente do nome que usam.
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