Por que os carros com motor 1.0 turbo estão com menos cavalos em 2026?

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Se você comparou fichas técnicas de lançamentos recentes e ficou intrigado com o fato de vários carros com motor 1.0 turbo chegarem com exatamente 115 ou 116 cv, isso não é coincidência nem limitação técnica. O Governo Federal mudou a forma de calcular o IPI sobre veículos novos, e as montadoras responderam do jeito mais direto: cortando potência para pagar menos imposto, sem abrir mão dos benefícios do programa federal.

 
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Salve, motorista! Desde que o programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) entrou em vigor, o IPI dos carros passou a considerar uma série de fatores, e a potência do motor virou um deles. Criou-se uma faixa de isenção até 115,6 cv: motores que ficam abaixo desse limite não pagam pontos adicionais de IPI por causa da potência. Essa marca se tornou o novo alvo de engenharia das montadoras, e é por isso que você vai continuar vendo esse número repetido por muito tempo.

O que mudou no cálculo do IPI?

Antes, um dos critérios do IPI era o deslocamento do motor. Carros 1.0 pagavam menos imposto, independente de quantos cavalos entregavam. Foi exatamente isso que as montadoras exploraram nos últimos anos para turbinar motores 1.0 até 120, 130 cv sem pagar mais nada. Com o Mover, esse critério saiu. No lugar do deslocamento, entrou a potência, com quatro faixas de tributação adicional:

  • Até 115,6 cv: sem acréscimo de IPI
  • Até 142,8 cv: +0,75 ponto percentual
  • Até 179,5 cv: +1,5 ponto percentual
  • Até 224,4 cv: +3,0 pontos percentuais

A alíquota base do IPI para automóveis é de 6,3%. Esse valor sobe ou cai conforme o combustível e o nível de eletrificação: carros elétricos ganham redução de 2 pontos percentuais, híbridos flex plug-in também levam -2 pp, híbridos flex plenos ficam com -1,5 pp e híbridos leves flex com -1 pp. Do outro lado, modelos a gasolina pura pagam +6,5 pp e a diesel chegam a +12 pp além da base.

 
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Quais carros já perderam cavalos?

A lista já é longa. A Chevrolet foi a pioneira: no início de 2025 o motor 1.0 turbo flex chegou a 121 cv, mas ao longo de 2026 a potência caiu para se enquadrar na faixa isenta. A Hyundai reduziu o motor 1.0 TGDI do i20 de 120 cv para 115 cv, com a mudança prevista para chegar ao HB20 e ao Creta em breve. A Stellantis foi mais agressiva: o motor 1.0 turbo da família T200, que entregava 130 cv em outros modelos da marca, estreou no Jeep Avenger já com 116 cv (o que equivale a 115,6 cv arredondados), mantendo o torque de 20,4 kgfm intacto.

Motores maiores também sentiram o corte. O 1.5 turbo da CAOA Chery foi ajustado para 143 cv, e o 1.6 turbo da mesma marca baixou de 187 cv para 180 cv. O Hyundai Creta com motor 1.6 turbo caiu de 193 cv para 176 cv ao migrar para a produção nacional flex. Na Volkswagen, a saída foi usar a calibração de 116 cv do motor 170 TSI no Polo, Tera e em versões do Virtus. O Renault Kardian também está na fila: o motor atual de 125 cv deve perder cerca de 10 cv sem abrir mão do torque de 22,5 kgfm.

O que vem por aí: híbridos leves em quase todo carro

Para os carros que precisam de mais de 115,6 cv, a saída está na eletrificação. O Mover prevê descontos de IPI para modelos eletrificados flex: -1 ponto percentual para híbridos leves (MHEV), -1,5 pp para híbridos plenos (HEV) e -2 pp para plug-in (PHEV). Na prática, isso é um incentivo financeiro para as montadoras adotarem eletrificação, mesmo que seja só um sistema de 48 volts.

A Stellantis já saiu na frente com o MHEV no Avenger. Chevrolet e Volkswagen anunciaram eletrificação leve de 48 volts nos próximos modelos nacionais. A Renault trabalha num sistema mais sofisticado para o Boreal e a picape Niagara, com motor elétrico no eixo traseiro. E até a Honda, que no Brasil só oferecia híbridos plenos ou plug-in, estuda eletrificação leve para o motor 1.5 dos modelos City, HR-V e WR-V, algo inédito para a marca por aqui.

 
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O que isso muda para quem vai comprar um carro em 2026?

Aqui está o ponto que boa parte dos compradores não percebe: em muitos casos, a redução de potência não reduziu o preço do carro. O IPI é recolhido pelo fabricante na saída da fábrica, e a economia no imposto foi absorvida pela cadeia comercial. Você pode estar pagando um valor similar ao de antes, mas levando um carro com menos cavalos.

Para quem compra um carro zero, a situação é transparente: a ficha técnica mostra a potência real e o CRLV vai registrar exatamente o que o motor entrega. O problema aparece no mercado de usados. Um comprador que não acompanha essas mudanças pode negociar um 1.0 turbo de 2026 esperando a potência do modelo anterior e não perceber que está levando uma versão recalibrada para 115 cv. O nome do motor é o mesmo, o visual é igual, mas a entrega mudou.

Na hora de transferir um veículo 2026 com motor 1.0 turbo, vale checar a ficha técnica exata e confirmar a potência no CRLV. Há unidades fabricadas antes e depois dos ajustes, então dois carros do mesmo modelo e ano podem ter especificações diferentes. Se a negociação for de segunda mão e o vendedor não souber responder com precisão, peça a nota fiscal ou o manual do proprietário, que traz a ficha técnica original com os valores homologados.


Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:


Perguntas frequentes sobre IPI e potência dos carros 1.0 turbo

Por que os carros 1.0 turbo estão com menos cavalos em 2026?

Por causa do novo cálculo de IPI do programa Mover. A tributação deixou de considerar o deslocamento do motor e passou a usar a potência como critério. Motores com até 115,6 cv não pagam pontos adicionais de IPI por causa da potência, então as montadoras ajustaram a calibração dos seus motores para ficar dentro dessa faixa.

O preço dos carros caiu junto com a redução de potência?

Na maioria dos casos, não. O IPI é recolhido pelo fabricante na saída da fábrica, e a economia no imposto foi absorvida pela cadeia comercial. O motorista tende a pagar um valor similar ao de antes, mas com um motor menos potente.

Quais carros foram afetados pelo corte de potência em 2026?

Entre os modelos populares afetados estão: Chevrolet com motor 1.0 turbo flex, Hyundai i20 (com extensão prevista para HB20 e Creta), Jeep Avenger e outros modelos Stellantis com o motor T200, além de versões da Volkswagen com o motor 170 TSI no Polo, Tera e Virtus. O Renault Kardian também está previsto para perder potência em breve.

Essa mudança afeta o IPVA ou a documentação do veículo?

O CRLV registra a potência real do motor, já com os ajustes do fabricante. Para o IPVA, que na maioria dos estados é calculado sobre o valor de mercado pela tabela FIPE, a mudança não tem efeito direto, já que o imposto não é atrelado à potência. Ao transferir um veículo 2026 com motor 1.0 turbo, vale conferir a ficha técnica para entender qual versão está sendo negociada.

Os carros flex ficam em desvantagem com o novo IPI?

Não, o contrário: os carros flex levam vantagem. Modelos a gasolina pura pagam 6,5 pontos percentuais adicionais de IPI, enquanto os flex não têm acréscimo por combustível. Somado à faixa de isenção de potência, um carro flex com até 115,6 cv representa a combinação com menor tributação dentro do programa Mover.

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