Placa clonada no pedágio free flow: a conta de uma estrada que você nunca percorreu pode chegar no seu nome
O sistema de pedágio eletrônico free flow, que já opera em várias rodovias do Sudeste, cobra a tarifa pela placa do veículo, sem cabines, sem parar o carro. Para quem tem tag, nada muda. Para quem não tem, a cobrança chega como a de um radar: pelo número da placa. O problema é que, se a sua placa foi clonada, você vai receber a conta de uma passagem que foi do outro.
Salve, motorista! O free flow veio para destravar o trânsito nas rodovias, e funciona bem nisso. Mas o sistema criou um ponto cego que afeta diretamente quem teve o veículo adulterado por criminosos. Como a cobrança é feita automaticamente pela câmera do pórtico, o sistema não sabe que aquele carro com a sua placa não é o seu carro. Ele registra a passagem, gera o débito e te manda a fatura.
Nenhum alerta chega até você. Nenhum SMS, nenhum e-mail. A responsabilidade de consultar o site de cada concessionária e rastrear débitos pela placa é sua. E se você não pagar no prazo, além do pedágio, chega a multa.
Como o free flow cobra quem não tem tag
Os pórticos do free flow têm câmeras que leem a placa de todo veículo que passa. Quem tem tag de pedágio, como Sem Parar, Connect Car, Taggy ou as tags de banco, é debitado automaticamente pela tag. Quem não tem, a cobrança vai para o CPF vinculado à placa no Detran.
Para pagar, o motorista precisa acessar o site da concessionária responsável pela rodovia, informar a placa e quitar o débito. O prazo varia por concessionária. Se não pagar no prazo, o sistema registra evasão de pedágio, que é infração prevista no Código de Trânsito.
O que acontece quando a placa é clonada
Quem clonou a placa do seu carro vai usar rodovias com free flow. A câmera lê a placa, identifica o veículo como sendo o seu e lança o débito no seu nome. Você fica sem saber porque ninguém te avisa.
Dias ou semanas depois, se você consultar os sites das concessionárias, vai encontrar cobranças de passagens em rodovias que nunca percorreu. Se não consultar e não pagar no prazo, o débito vira multa por evasão de pedágio. E aí a infração chega no RENAVAM do seu carro.
A multa por evasão de pedágio: quanto custa e quantos pontos
A evasão de pedágio está tipificada no artigo 209-A do CTB, incluído pela Lei nº 14.157 de 2021. A penalidade é infração grave, com multa de R$ 195,23 e 5 pontos na CNH. Cada passagem não paga conta como uma infração separada.
Ou seja: se o carro com a sua placa clonada passou por três pórticos num único dia, você pode ter três multas chegando ao mesmo tempo, com 15 pontos na CNH e quase R$ 586 em autuações, mesmo sem ter saído de casa.
O que fazer se a placa do seu carro foi clonada
Aqui é onde a experiência de quem lida com Detran todo dia faz diferença. O processo de contestação existe, mas tem uma sequência que precisa ser seguida direitinho para funcionar.
O primeiro passo é registrar um Boletim de Ocorrência em uma delegacia de polícia, seja presencialmente ou pela plataforma digital do estado. Com o B.O. em mãos, você leva ao Detran do seu estado junto com o CRLV do veículo, o laudo de vistoria de identificação veicular e seus documentos pessoais. O Detran vai inserir uma restrição administrativa no histórico do veículo informando que ele foi fraudado.
A partir daí, qualquer autoridade que consultar a placa vai saber da clonagem. Para as multas que já chegaram, você pode recorrer ao Detran apresentando o B.O. e a restrição administrativa para contestar a autoria das infrações. Com o processo de clonagem reconhecido, é possível pedir a troca da placa e a exclusão dos pontos indevidos na CNH.
Um detalhe que pouca gente percebe: o laudo de vistoria de identificação veicular é um documento que muita gente não tem em mãos, mas é exigido nesse processo. Se você não sabe onde está o seu ou nunca fez, um despachante resolve essa vistoria e organiza toda a documentação para o Detran sem você precisar ir em fila.
O governo suspendeu 3,4 milhões de multas, mas a janela tem prazo
Em maio de 2026, o governo federal e o Contran suspenderam aproximadamente 3,4 milhões de multas por evasão de pedágio eletrônico. A decisão reconheceu que muitos motoristas não conseguiram identificar os canais de pagamento, os valores e as concessionárias responsáveis.
Com a suspensão, foi aberta uma janela de 200 dias para quitar os débitos pendentes sem penalidades administrativas. Esse prazo corre a partir da publicação da medida. Depois disso, as cobranças voltam normalmente, com multa inclusa.
O governo também anunciou que pretende centralizar todas as cobranças de free flow no aplicativo oficial da CNH do Brasil, eliminando a necessidade de navegar por dezenas de sites de concessionárias diferentes. Mas isso ainda não está em funcionamento. Por enquanto, a consulta ainda precisa ser feita concessionária por concessionária.
Se você usou rodovias com pórticos nos últimos meses e não tem tag, consulte as concessionárias da região onde transitou e guarde todos os comprovantes de pagamento. Esse registro vai ser necessário se houver cobrança duplicada ou contestação futura.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre placa clonada e pedágio free flow
Sim. Se a sua placa foi clonada, o veículo do criminoso passa pelo pórtico do free flow e o débito é lançado no seu nome, porque o sistema identifica pelo número da placa. Se o débito não for pago no prazo, vira multa por evasão de pedágio, com R$ 195,23 e 5 pontos na CNH.
O primeiro passo é registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia. Com o B.O., vá ao Detran do seu estado com o CRLV, laudo de vistoria de identificação veicular e documentos pessoais. O Detran insere uma restrição administrativa no histórico do veículo e, com isso, você pode contestar as multas recebidas.
Parcialmente. Quem tem tag é cobrado pela tag, não pela placa, então não recebe débitos de free flow por clonagem. Mas isso não impede que a placa clonada gere multas de radar, de estacionamento ou outras infrações. A clonagem de placa é um problema que vai além do pedágio eletrônico.
A suspensão abrange multas por evasão de pedágio eletrônico de forma geral, não especificamente casos de clonagem. O período de 200 dias aberto para quitação sem penalidade se aplica aos débitos pendentes de free flow. Para multas originadas por clonagem, o caminho correto é a contestação via B.O. e Detran, não o pagamento do débito.
Por enquanto, é preciso consultar o site de cada concessionária responsável pela rodovia onde você trafegou. O governo anunciou que pretende centralizar essas informações no aplicativo da CNH do Brasil, mas essa funcionalidade ainda não está disponível. Se você não sabe qual concessionária opera a rodovia que usou, pesquise pelo nome da estrada ou pelo trecho percorrido.
Qual a sua nota para este texto?
Clique nas estrelas
Nota 0,0 / 5 de 0 avaliação

Deixe um comentário