Cor do Etanol: entenda porque Etanol pode mudar de cor e ficar amargo em 2027
O etanol hidratado vendido nos postos brasileiros pode ganhar cor verde nos próximos anos e, numa segunda etapa, um sabor extremamente amargo. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) aprovou, no dia 2 de setembro de 2026, um estudo com duas propostas para dificultar o desvio do combustível e seu uso na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas. A primeira mudança pode chegar ainda em 2027, mas com algumas condições pelo caminho.
Salve, motorista! O tema ganhou força depois de casos registrados em 2025 de etanol combustível sendo desviado para produção irregular de bebidas. O TCU fez uma auditoria sobre o assunto e recomendou ação. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) respondeu publicando a Resolução nº 6 de 2026, que determinou à ANP estudar soluções para esse tipo de fraude. O resultado desse trabalho é o relatório que foi aprovado agora e encaminhado ao Ministério de Minas e Energia em 5 de setembro.
Resumo da notícia
- O etanol hidratado nos postos pode ter cor verde em 2027 para evitar desvio para bebidas alcoólicas.
- A ANP aprovou a adição de um corante verde para tornar o etanol visível e inibidor de fraudes.
- Uma segunda proposta envolve a adição de benzoato de denatônio, que tornaria o etanol amargo, mas testes mecânicos ainda são necessários.
- Nenhuma mudança no etanol ocorrerá imediatamente; o combustível continuará com as especificações atuais até novas regulamentações.
- Motoristas devem acompanhar as consultas públicas sobre o assunto, pois isso permitirá que se manifestem sobre as propostas.
Como o etanol verde funcionaria nos postos
A proposta mais avançada é a adição de um corante verde diretamente nas usinas, antes de o combustível chegar às distribuidoras e aos postos. A lógica é simples: com a cor diferente, qualquer etanol desviado para bebidas ficaria visível, tanto para o consumidor quanto para fiscais.
Esse corante já passou por testes físico-químicos no Centro de Pesquisas da própria ANP. Por isso, a agência o classifica como solução provisória e prevê implementação ao longo de 2027, desde que o processo regulatório avance no prazo. Para tornar o corante obrigatório, a ANP precisa revisar a Resolução nº 907 de 2022, o que envolve análise de impacto regulatório, consulta pública, audiência pública e aprovação pela Diretoria Colegiada. A norma ainda terá de prever um prazo de adaptação para usinas, distribuidoras e postos. Em resumo: 2027 é a meta, não uma certeza.
O sabor amargo ainda não tem data, e por um bom motivo
A segunda proposta é adicionar benzoato de denatônio ao etanol combustível. Essa substância tem sabor extremamente amargo, tornando o produto virtualmente impossível de consumir como bebida. Ela já é usada em produtos de limpeza e higiene com etanol, exatamente para esse fim.
O problema é que nenhuma agência no mundo testou o benzoato de denatônio em combustíveis para motores. Não há precedentes. Por isso, a ANP ainda vai realizar testes mecânicos para verificar se a substância pode prejudicar o motor, o sistema de alimentação ou as emissões do veículo. Enquanto esses testes não forem concluídos, não há prazo definido para essa segunda etapa.
O etanol colorido pode danificar o meu carro?
Para o corante verde, a ANP realizou testes físico-químicos e não identificou problemas. Para o benzoato de denatônio, a resposta ainda não existe, daí os testes mecânicos necessários antes de qualquer decisão.
Vale notar que a Anfavea, associação das montadoras, participou das consultas da ANP durante o estudo. Qualquer mudança na composição do combustível precisa do aval da indústria automotiva, e o governo é historicamente cauteloso nesse ponto, como se vê no processo longo para discutir o aumento do teor de etanol na gasolina. O processo deste corante não será diferente.
O que muda na prática para o motorista agora
Nada, por enquanto. O etanol nos postos hoje segue as normas vigentes e não vai mudar de cor amanhã. O que a ANP aprovou foi um relatório com propostas, não uma resolução definitiva. O combustível permanece com as especificações atuais enquanto o processo regulatório não for concluído.
O processo ainda passará por consulta pública, e qualquer motorista, empresa ou entidade pode se manifestar. Se você usa etanol regularmente e tem alguma preocupação com a mudança, esse será o momento de participar.
Quem trabalha com regulamentação veicular no dia a dia conhece bem esse ritmo. A ANP aprovando o relatório em setembro de 2026 e prevendo implementação em 2027 é um prazo apertado para uma mudança que envolve revisão de resolução, consulta pública e adaptação de toda a cadeia, das usinas até os postos. Se alguma etapa atrasar, o corante verde pode ficar para 2028 ou depois. Não é pessimismo. É o calendário real das regulamentações de combustíveis no Brasil. Monitore a consulta pública quando ela abrir: é quando as mudanças ganham forma concreta.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre a mudança no etanol
Talvez. A ANP prevê implementar o corante verde ao longo de 2027, mas isso depende de todo um processo regulatório: revisão de resolução, consulta pública, audiência pública e aprovação da diretoria. Se alguma etapa atrasar, a mudança pode ficar para depois.
Para o corante verde, a ANP realizou testes físico-químicos e não identificou problemas. Já para a substância com sabor amargo (benzoato de denatônio), os testes mecânicos ainda serão feitos, justamente por não haver precedente de uso em combustíveis para motores.
O etanol hidratado combustível tem composição química parecida com a de bebidas alcoólicas. Em 2025, foram registrados casos de desvio do produto de usinas para fabricação clandestina de cachaça e outras bebidas. A mudança de cor ou sabor serviria como barreira para tornar esse desvio inviável.
Não. Por enquanto, nenhuma mudança foi implementada. O etanol continua com as mesmas especificações atuais. Acompanhe as consultas públicas da ANP quando forem abertas, se quiser se manifestar sobre a proposta.
Não é a intenção. O objetivo do benzoato de denatônio é apenas tornar o produto impróprio para consumo como bebida, sem alterar o desempenho energético do combustível. Mas como ainda não há testes mecânicos concluídos, qualquer afirmação definitiva seria prematura.
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