Carro ou moto: venda de carros cresce 2x mais rápido em 2026

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Icone de tempo Atualizado em 17/08/2026 | Icone de calendário Publicado em 17/08/2026 |

O mercado de carros novos cresceu 18,1% no acumulado de janeiro a julho de 2026, quase o dobro do crescimento de motos no mesmo período (9,8%). O curioso é que os dois mercados tiveram o mesmo gatilho em março, quando o Banco Central começou a cortar a Selic. A diferença é o que aconteceu depois, e olhando modelo por modelo dá pra ver que a distância entre os dois mercados é mais estrutural do que parece.

 
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Salve, motorista! Vale notar de cara: em volume absoluto, o Brasil ainda registra mais motos que carros (1.287.355 contra 1.189.675 no acumulado do ano). A moto segue sendo o veículo mais emplacado do país, só que crescendo mais devagar em 2026.

O mesmo gatilho, em março

Em março de 2026, quando o Copom deu início ao corte de juros depois de dez meses com a Selic travada em 15%, os dois mercados dispararam juntos:

Mês Carros (vs. 2025) Motos (vs. 2025)
Janeiro -1,5% +15,7%
Fevereiro +2,3% +9,0%
Março +41,7% +31,3%
Abril +19,2% +12,4%
Maio +23,0% -0,0%
Junho +27,8% +4,9%
Julho +10,7% -0,4%

Em março, motos cresceram 31,3%, quase tão forte quanto os 41,7% dos carros. Até aqui, os dois mercados reagiram do mesmo jeito ao crédito mais barato.

 
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Depois de março, os caminhos se separaram

A partir de maio, a história muda. Carros seguiram crescendo forte (+23% em maio, +27,8% em junho, +10,7% em julho), enquanto motos praticamente pararam de crescer: ficaram estáveis em maio, subiram pouco em junho e recuaram levemente em julho.

Não é um outlier puxando a média

Antes de fechar essa conclusão, vale testar se um único fabricante está distorcendo o resultado. Nos carros, a BYD sozinha cresceu mais de 100% no período. Será que, sem ela, o crescimento desapareceria? Não: tirando a BYD do cálculo, os carros ainda cresceram 12,7%. Nas motos, a Mottu (que não vende, só registra frota própria, como já mostramos por aqui) cresceu 26,6%, bem acima da média. Tirando a Mottu, motos cresceram 9,0%, praticamente igual ao número com ela incluída. Ou seja: mesmo isolando os dois “outliers” mais óbvios, carros seguem crescendo bem mais rápido que motos. Não é distorção de um fabricante, é uma diferença real entre os dois mercados.

Onde o crescimento está concentrado

Olhando modelo por modelo, os dois mercados também contam histórias diferentes sobre a origem do crescimento.

Nos carros, quem puxou a média pra cima não foi o líder tradicional: o VW Polo, ainda o carro mais vendido do país, teve queda de 8,2% no acumulado (70.156 para 64.436 unidades). O crescimento veio de marcas chinesas ganhando espaço rápido: BYD Dolphin Mini (+164,7%), BYD Song (+85,8%), GWM (+98,3% como marca) e Caoa Chery (+26,4%). É um mercado em recomposição, com o topo do ranking perdendo força enquanto novos entrantes crescem forte.

 
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Nas motos, o quadro é mais parado. A Honda CG 160, a moto mais vendida do Brasil, cresceu 14,8% (267.980 para 307.744 unidades), acima da média do mercado. Mas os outros modelos populares da própria Honda mal se mexeram: a Biz cresceu 2,7%, a Pop 110i cresceu 6,3%. A Yamaha Fazer 250 ficou praticamente estável, com +1,3%. Fora a CG 160 e a Mottu Sport 110i (+26,6%, mas por expansão de frota, não venda direta), o resto do mercado de motos andou de lado.

Um terceiro ponto de comparação, pra completar o quadro: as picapes e comerciais leves cresceram 8,2% no mesmo período, ritmo parecido com o das motos e bem abaixo do dos carros de passeio. Vale um artigo à parte pra entender por que esse segmento também ficou pra trás.

O que isso significa pra quem vai financiar

Se você está pesquisando financiamento, seja de carro ou de moto, o cenário de juros em queda desde março favorece os dois, mas o ritmo de melhora foi bem mais consistente do lado dos carros nos últimos meses. Vale simular o financiamento agora e comparar taxas entre bancos, porque tanto o valor da parcela quanto a aprovação de crédito tendem a estar mais favoráveis do que estavam há um ano. E se você está de olho numa moto de marca tradicional (Honda, Yamaha), vale saber que o crescimento do setor está mais concentrado em nichos específicos (frotas de aplicativo, alguns modelos pontuais) do que espalhado pelo mercado todo, o que pode significar menos pressão de demanda e mais espaço pra negociar preço.

Use a ferramenta de carros mais vendidos do Brasil pra acompanhar como os dois mercados seguem evoluindo nos próximos meses.


Perguntas frequentes

Motos ainda vendem mais que carros no Brasil?

Sim, em volume absoluto. No acumulado de janeiro a julho de 2026, foram 1.287.355 motos emplacadas contra 1.189.675 carros. A moto segue sendo o veículo mais registrado do país, mesmo crescendo mais devagar que os carros em 2026.

Como funciona o financiamento de moto?

Funciona de forma parecida com o de carro: o comprador financia parte do valor com um banco ou a financeira da própria fabricante, paga uma entrada e parcela o restante com juros. O score de crédito e a renda comprovada influenciam a taxa e a aprovação.

Por que o VW Polo caiu mesmo com o mercado de carros crescendo?

O Polo segue sendo o carro mais vendido do Brasil, mas o crescimento do mercado em 2026 veio principalmente de marcas chinesas em expansão rápida, como BYD, GWM e Caoa Chery, que ganharam espaço enquanto o topo tradicional do ranking perdeu força.

Por que o crescimento de motos desacelerou depois de março de 2026?

Não há uma causa oficial confirmada, mas os dados mostram que o crescimento de motos está mais concentrado em nichos pontuais (a CG 160 e a expansão de frota da Mottu) do que espalhado pelo mercado, o que ajuda a explicar por que a média geral desacelerou mais rápido que a dos carros.

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