BYD atrasa entrega de carros PCD e clientes vão à Justiça para receber o que já pagaram
Motoristas com deficiência que compraram carros da BYD com isenção PCD estão esperando meses por um veículo que já pagaram, sem data de entrega e sem resposta clara da montadora. O problema não é isolado: casos semelhantes foram registrados em pelo menos sete concessionárias diferentes, espalhadas pelo Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil.
Salve, motorista! A situação é mais grave do que parece. Estamos falando de pessoas que venderam o carro antigo, comprometeram o orçamento em financiamentos e parcelas mensais, e ficaram completamente sem veículo por meses, esperando uma promessa que a BYD não cumpria. E quando foram buscar explicação, receberam respostas vagas ou silêncio.
O que aconteceu com quem comprou um BYD PCD?
Karyne de Freitas, motorista particular em Cuiabá (MT) e portadora de deficiência com mobilidade reduzida, fechou a compra de um BYD Song Pro GL em outubro de 2025. Com a isenção PCD, pagou R$ 147.990 pelo SUV híbrido. Para financiar, usou o dinheiro da venda do seu Toyota Corolla como entrada e assumiu 60 parcelas de R$ 2.884,40.
O problema: o carro não chegava. Karyne pressionou a concessionária, aceitou até mudar a cor do veículo para agilizar a entrega, mas nada adiantou. Sem o Corolla que vendeu e com as parcelas chegando todo mês, ficou sem trabalho por meses.
A saída foi a Justiça: com uma liminar, conseguiu que o Song Pro fosse entregue em 25 de fevereiro de 2026, depois de uma espera de 130 dias. Se você está numa situação parecida, guardar todos os registros das conversas com a concessionária, como prints e e-mails, é o primeiro passo para qualquer ação legal.
Quem pagou à vista também ficou na mão
Gustavo Kaufmann, analista legislativo em Brasília (DF) e portador de esclerose múltipla, encontrou um BYD King GS azul em novembro de 2025 e decidiu comprar à vista. Com os descontos PCD, pagou cerca de R$ 160.000 logo após o Natal. A entrega estava marcada para 23 de janeiro de 2026.
Um dia antes da data combinada, o prazo foi cancelado, sem explicação clara. O que veio depois foi uma sequência de promessas quebradas: a concessionária chegou a oferecer um carro de cor diferente e um chaveiro de brinde como compensação, mas esse carro também não apareceu.
A última atualização que Gustavo recebeu apontava para maio de 2026, com a entrega original tendo sido adiada por 161 dias corridos. Sem fé na palavra da loja, ele já calcula quanto dinheiro deixou de render no período em que o valor ficou parado, e vai incluir esse dado no processo judicial.
Por que os carros da BYD estão atrasando?
Na venda PCD, a concessionária funciona como intermediária entre o cliente e a fábrica. O veículo é negociado diretamente com a montadora, e a loja cuida da burocracia do processo. O ponto de falha, nesse caso, parece estar justamente nessa burocracia interna da BYD.
A concessionária Saga de Cuiabá, que atendeu Karyne, afirmou no processo que a BYD levou quase um mês só para faturar o pedido, e mais um mês para reconhecer que o pagamento havia sido efetuado. Sem esse reconhecimento, o sistema da fábrica bloqueava qualquer liberação do veículo.
Uma lojista, em conversa com outro cliente afetado, foi direta: “Meu financeiro não consegue te liberar o carro porque a BYD não transferiu o seu pagamento para o seu chassi.” O problema não estava na concessionária, mas na fábrica, e os clientes ficavam sem informação enquanto aguardavam.
O que a BYD respondeu, e por que irritou
Questionada pela reportagem da Autoesporte, a BYD disse que “comenta a situação apenas individualmente” e pediu evidências dos casos, sem se posicionar publicamente.
No processo de Karyne, que é de acesso público, a defesa da montadora disse que ela “poderia ter utilizado outro carro para trabalhar enquanto esperava pelo seu Song Pro”. Também afirmou que não havia “estipulação contratual de prazo específico de entrega”.
A lógica da defesa ignora que Karyne vendeu seu carro para financiar a compra, ou seja, não havia “outro carro” para usar. O pedido de indenização foi classificado pelos advogados da BYD como uma tentativa de transformar “uma discussão logística” em abalo moral. Para clientes que ficaram meses sem renda e com parcelas chegando, a palavra “logística” soa, no mínimo, fora de contexto.
O que você pode fazer se passou por isso
Se você comprou um carro PCD da BYD e está enfrentando atrasos, há caminhos concretos. O primeiro é documentar tudo: salve prints das conversas, e-mails e qualquer comunicado da concessionária ou da montadora. O segundo é acionar o SAC da BYD e registrar reclamação no Reclame Aqui, criando histórico formal do problema.
Se o prazo contratual foi descumprido, você pode buscar o Procon do seu estado ou entrar com ação no Juizado Especial Cível (JEC), sem necessidade de advogado para causas até 20 salários mínimos. Para valores maiores, como o caso dos R$ 160.000 de Gustavo, o acompanhamento jurídico é fundamental. Liminares, como a que garantiu a entrega do carro de Karyne, são um instrumento real e funcionaram na prática.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre atraso na entrega de carros PCD BYD
Nas vendas diretas PCD, a concessionária é intermediária, mas o veículo é liberado pela montadora. Nos casos relatados, o gargalo estava na BYD, que demorava para faturar o pedido e reconhecer o pagamento, travando o processo internamente. Na prática, porém, o cliente deve acionar tanto a loja quanto a fabricante.
Sim. Mesmo que o contrato não especifique um prazo exato, o Código de Defesa do Consumidor protege contra práticas abusivas e descumprimento de acordos verbais ou por escrito. Você pode acionar o Procon, registrar no Reclame Aqui ou ir ao Juizado Especial Cível. Guarde todos os registros das conversas com a concessionária.
Depende do que for comprovado no processo, mas sim, há precedentes em que juízes reconheceram danos materiais e morais nessas situações. O caso de Karyne de Freitas, que ficou sem renda por meses após vender seu Corolla, resultou em liminar obrigando a entrega. Documentar os prejuízos financeiros, como parcelas pagas sem ter o carro, fortalece qualquer ação.
Documente tudo por escrito. Envie e-mails formalizando as conversas que ocorreram por telefone ou pessoalmente. Registre datas e promessas da loja. Se o prazo foi descumprido, faça uma notificação formal à concessionária exigindo posição. Esse histórico é fundamental se você precisar recorrer à Justiça ou ao Procon.
Essa foi a linha de defesa usada pela BYD no processo de Karyne, mas o argumento é contestável. O CDC prevê que o fornecedor deve cumprir o que foi ofertado, e datas de entrega mencionadas pelo vendedor podem ser consideradas parte da oferta. Advogados especializados em direito do consumidor avaliam caso a caso.
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