Projeto de lei quer liberar gasolina sem etanol nos postos: e para quem tem carro antigo?
Um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados quer permitir que estados e o Distrito Federal autorizem a venda de gasolina sem etanol (E0) e com apenas 10% de etanol (E10) nos postos de combustível. O PLP 249/2026, protocolado em 8 de setembro de 2026, ainda está no início da tramitação, mas já levanta uma discussão que interessa a muita gente: quem tem carro antigo pode estar em desvantagem com a gasolina que existe hoje.
Salve, motorista! A proposta chega menos de dois meses depois de uma mudança que afetou todo mundo que abastece com gasolina: desde 1º de agosto de 2026, o percentual de etanol anidro na gasolina comum subiu de 30% para 32%, o chamado E32. Para a maioria dos veículos modernos, a diferença é mínima. Para carros mais antigos, especialmente os que ainda têm carburador, a conversa muda de tom.
Resumo da notícia
- O projeto de lei PLP 249/2026 propõe autorizar a venda de gasolina sem etanol (E0) e com 10% de etanol (E10) nos postos.
- A mudança no percentual de etanol na gasolina comum para 32% (E32) pode afetar carros antigos, especialmente os com carburador.
- O PLP quer oferecer uma opção adicional, mas a venda da gasolina sem etanol dependerá da autorização de cada estado.
- Veículos mais antigos podem ter problemas com altas concentrações de etanol, portanto, um mecânico especializado é recomendado.
- O projeto está no início da tramitação e enfrenta resistência do setor sucroenergético; a gasolina E32 ainda é a regra até nova aprovação.
O que propõe o PLP 249/2026
O projeto, de autoria do deputado Messias Donato (União-ES), não quer substituir a gasolina atual. A ideia é criar uma opção adicional: cada estado poderia, se quisesse, autorizar postos a comercializarem também o E0 (sem etanol) e o E10 (com 10% de etanol anidro). A decisão final ficaria com o revendedor, que poderia ou não oferecer essas versões.
Para ser vendido, o combustível ainda precisaria seguir as especificações de qualidade da ANP, a Agência Nacional do Petróleo. Não é qualquer gasolina pura que chegaria nas bombas, mas um produto regulado e dentro das normas técnicas.
Por que surgiu essa proposta agora
A justificativa central do projeto são os veículos antigos. Carros equipados com carburador têm componentes como mangueiras e vedações que não foram projetados para trabalhar com altas concentrações de etanol. Com o tempo e exposição prolongada, o etanol pode degradar esses materiais.
O deputado cita um estudo do Instituto Mauá de Tecnologia sobre a gasolina E30, que apontou viabilidade técnica da mistura. Há um detalhe importante, porém: a pesquisa não avaliou a durabilidade desses componentes com exposição prolongada ao combustível. A prova definitiva de que o motor de um carro antigo aguenta bem a mistura atual ainda não está no papel.
O que mudou com a gasolina E32
Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum e a comum aditivada passaram a ter 32% de etanol anidro. A gasolina premium continua em 25%. O Ministério de Minas e Energia afirma que testes com veículos leves e motos indicaram funcionamento adequado, sem impacto relevante no desempenho ou na dirigibilidade.
Para carros flex modernos, a mudança praticamente não existe, já que esses motores foram projetados para trabalhar com qualquer mistura. O ponto de atenção fica nos veículos mais velhos, que não passaram pelos mesmos testes de compatibilidade.
O que isso significa na prática para o dono de carro antigo
Quem lida com regularização de veículos no dia a dia ouve histórias que os testes de laboratório nem sempre capturam: donos de carros antigos, especialmente clássicos dos anos 1980 e 1990, relatam problemas com combustíveis de alta concentração de etanol. Vedações que ressecam, carburadores que entopem, borrachas que incham são problemas que qualquer mecânico especializado em veículo antigo já viu de perto.
Se o projeto avançar e estados começarem a autorizar o E0 ou o E10, o dono de carro antigo teria uma alternativa real no posto. Mas atenção: isso não significa que qualquer posto perto de você vai oferecer essa opção. A autorização seria por estado, e a oferta dependeria do interesse de cada revendedor. Na prática, a gasolina sem etanol pode ficar restrita a nichos, pelo menos num primeiro momento. Quem tem um veículo de coleção ou com motor carburado faria bem em acompanhar a tramitação, mas sem expectativa de resolução rápida.
O projeto tem chance de avançar?
O PLP 249/2026 está no começo da tramitação. Ainda precisa passar por comissões, votações e, eventualmente, pelo Senado. Projetos assim costumam enfrentar resistência do setor sucroenergético, que tem forte representação política e interesse em manter altos percentuais de etanol na gasolina. Não há prazo definido para aprovação, e existe chance real de o texto travar pelo caminho.
O cenário mais provável no curto prazo é que a gasolina E32 continue sendo a única opção nos postos. Se você tem um carro antigo e está preocupado com o combustível atual, consulte um mecânico especializado nesse tipo de veículo para avaliar se alguma adaptação nos componentes faz sentido enquanto o projeto não avança. Ficar de olho na tramitação custa pouco; fazer manutenção corretiva depois custa mais.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre gasolina sem etanol no Brasil
E0 é a gasolina pura, sem adição de etanol anidro. Hoje, a gasolina comum vendida no Brasil tem 32% de etanol (E32). O PLP 249/2026 quer permitir que estados autorizem a venda da versão sem etanol como opção adicional nos postos, sem substituir o padrão atual.
Não necessariamente. Se o projeto for aprovado, cada estado precisaria autorizar a comercialização, e cada posto decidiria se oferece ou não. A oferta pode ficar restrita a algumas regiões ou nichos, especialmente no início.
Veículos mais velhos, especialmente os com carburador e componentes de borracha originais, podem ser mais sensíveis ao alto percentual de etanol. O recomendado é consultar um mecânico especializado em carros antigos para avaliar o estado dos componentes antes de qualquer conclusão.
Não. O projeto foi protocolado em 8 de setembro de 2026 e ainda está no início da tramitação na Câmara dos Deputados. Enquanto não for aprovado e sancionado, a gasolina E32 continua sendo a regra nos postos brasileiros.
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