Motor V8 da GM não para de falhar mesmo depois do recall: investigação chega a quase 1 milhão de SUVs e picapes
A General Motors está com um problema grave nas mãos. O motor V8 6.2 L87, presente em centenas de milhares de SUVs e picapes como Chevrolet Tahoe, GMC Yukon e Cadillac Escalade, continuou falhando depois de um recall realizado em abril de 2025. A agência americana de segurança no trânsito (NHTSA) abriu uma nova investigação que agora alcança quase 1 milhão de veículos dos anos 2021 a 2026.
Salve, motorista! O motor em questão pertence à família mais famosa da GM: o Chevrolet Small Block, criado em 1955 e com mais de 100 milhões de unidades produzidas. O atual V8 6.2 L87 é a quinta geração dessa linhagem, com 425 cv, bloco de alumínio e injeção direta. Em teoria, um motor maduro e consolidado. Na prática, está causando dores de cabeça para proprietários americanos, e o primeiro recall não fechou a conta.
O que causou o recall original
A investigação inicial da NHTSA, aberta em janeiro de 2025, identificou 28.102 ocorrências potencialmente relacionadas a falhas de lubrificação no L87. Em 14.332 desses casos, o motor simplesmente travou e não voltou mais. A análise da GM apontou dois problemas: resíduos nas bielas e nas galerias de óleo do virabrequim, e virabrequins com dimensões fora das especificações de fábrica. Nos dois cenários, o motor podia perder potência abruptamente ou parar de vez. A GM relacionou os casos a 12 acidentes, 12 relatos de ferimentos e 42 ocorrências com indício de incêndio nos Estados Unidos.
Em resposta, a GM convocou 597.630 veículos Chevrolet, GMC e Cadillac dos anos-modelo 2021 a 2024 para recall em abril de 2025. Quando o motor não apresentava dano interno, a solução era trocar o óleo 0W-20 pelo 0W-40, mais viscoso. Motores com desgaste detectado eram reparados ou substituídos por completo, às vezes em veículos com menos de 20 mil quilômetros rodados.
Por que o recall não resolveu
As falhas continuaram depois da campanha. A NHTSA registrou 499 reclamações pós-recall: 473 em veículos que receberam o óleo mais viscoso e 26 naqueles que tiveram o motor inteiramente substituído. Do lado da GM, o número é bem maior: 6.953 reclamações após a campanha, das quais cerca de 6.050 ainda estão em análise.
A agência também recebeu 191 relatos de falhas em motores produzidos fora do intervalo de datas contemplado pelo recall original, o que forçou a expansão do escopo. A NHTSA elevou o caso para uma Engineering Analysis, etapa mais aprofundada para determinar a extensão real do defeito. A investigação agora cobre 997.743 veículos dos anos-modelo 2021 a 2026 equipados com o L87.
Quem tem esses veículos no Brasil precisa saber disso
A Silverado vendida no Brasil usa o motor L84 de 5.3 litros, não o L87 em investigação. Quem comprou o modelo nacional não está diretamente afetado. O mesmo vale para o Camaro SS brasileiro: ele usou o V8 LT1 de 6.2 litros até 2024, mas é uma variante técnica diferente do L87.
Há, porém, um grupo de motoristas que pode ter um L87 no Brasil: quem importou Cadillac Escalade, Chevrolet Tahoe, Chevrolet Suburban, GMC Sierra 1500, GMC Yukon ou GMC Yukon XL dos anos 2021 a 2026. Esses modelos chegam ao país via importação direta ou pelo mercado paralelo. Se você tem um desses, vale verificar o status do recall pelo número de chassi (VIN) diretamente no site da NHTSA.
O que quem trabalha com documentação de veículo vê nessa situação
Recalls de origem estrangeira têm um ponto cego no Brasil: a rede de concessionárias nacional pode não ter peças, não ter procedimento oficial definido ou simplesmente não estar preparada para atender o caso. Quem tem um veículo importado precisa confirmar diretamente com a concessionária local se o recall será realizado aqui, em quais condições e com cobertura ou não de garantia. A GM mantém um programa especial para os motores afetados: cobertura de dez anos ou 150.000 milhas (241.401 km) a partir da data de entrada em serviço do veículo.
Para quem compra veículo importado de segunda mão, o alerta é direto: recall aberto e não atendido pode virar complicação na hora de documentar o carro. Antes de fechar negócio, pesquise o histórico do chassi e confirme se a campanha foi concluída. Esse detalhe, ignorado na pressa da compra, aparece na hora errada.
Como fica a GM daqui para frente
Além da investigação regulatória, diversas ações coletivas nos EUA foram reunidas em um único processo federal em 2026. Os proprietários questionam as falhas e a troca obrigatória de óleo para uma versão mais cara, com alegações de aumento no consumo. A GM não admitiu que a solução inicial foi insuficiente, mas a abertura de uma nova investigação com escopo quase dobrado fala por si.
Em paralelo, a GM anunciou em abril de 2026 a sexta geração do Small Block: o V8 LS6 de 6.7 litros, com 542 cv, que estreia no Corvette 2027. Enquanto prepara essa nova geração, a montadora ainda precisa descobrir por que tantos exemplares do L87 atual continuam falhando, mesmo depois de trocados.
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Perguntas frequentes sobre o recall do motor V8 da GM
Não diretamente. A Silverado vendida no Brasil usa o motor L84 de 5.3 litros, diferente do L87 em investigação. O Camaro SS nacional também usou uma variante distinta. Quem pode ser afetado são proprietários que importaram Cadillac Escalade, Chevrolet Tahoe, Chevrolet Suburban, GMC Sierra 1500, GMC Yukon ou GMC Yukon XL dos anos 2021 a 2026.
Pelo número de chassi (VIN), é possível consultar o status de recall no site da NHTSA, agência federal americana de segurança no trânsito. Para veículos formalmente importados e com representação da marca no Brasil, a concessionária local também pode fazer essa verificação.
Sim, para os veículos cobertos pelo recall original. Além disso, a GM mantém um programa de garantia especial para os motores L87 afetados: cobertura de dez anos ou 150.000 milhas (241.401 km), contados a partir da data de entrada em serviço do veículo, prevalecendo o que ocorrer primeiro.
Pode sim, especialmente se a campanha ainda não foi atendida. Compradores atentos pesquisam o histórico do chassi antes de fechar negócio. Se o recall foi concluído e documentado, o impacto tende a ser menor. Por isso, guardar o comprovante de atendimento do recall é importante.
A NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration) é a agência federal dos Estados Unidos responsável pela segurança no trânsito. Ela investiga defeitos em veículos, determina recalls obrigatórios e fiscaliza o cumprimento das campanhas pelas montadoras.
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