Carro ou moto: venda de carros cresce 2x mais rápido em 2026
O mercado de carros novos cresceu 18,1% no acumulado de janeiro a julho de 2026, quase o dobro do crescimento de motos no mesmo período (9,8%). O curioso é que os dois mercados tiveram o mesmo gatilho em março, quando o Banco Central começou a cortar a Selic. A diferença é o que aconteceu depois, e olhando modelo por modelo dá pra ver que a distância entre os dois mercados é mais estrutural do que parece.
Salve, motorista! Vale notar de cara: em volume absoluto, o Brasil ainda registra mais motos que carros (1.287.355 contra 1.189.675 no acumulado do ano). A moto segue sendo o veículo mais emplacado do país, só que crescendo mais devagar em 2026.
O mesmo gatilho, em março
Em março de 2026, quando o Copom deu início ao corte de juros depois de dez meses com a Selic travada em 15%, os dois mercados dispararam juntos:
| Mês | Carros (vs. 2025) | Motos (vs. 2025) |
| Janeiro | -1,5% | +15,7% |
| Fevereiro | +2,3% | +9,0% |
| Março | +41,7% | +31,3% |
| Abril | +19,2% | +12,4% |
| Maio | +23,0% | -0,0% |
| Junho | +27,8% | +4,9% |
| Julho | +10,7% | -0,4% |
Em março, motos cresceram 31,3%, quase tão forte quanto os 41,7% dos carros. Até aqui, os dois mercados reagiram do mesmo jeito ao crédito mais barato.
Depois de março, os caminhos se separaram
A partir de maio, a história muda. Carros seguiram crescendo forte (+23% em maio, +27,8% em junho, +10,7% em julho), enquanto motos praticamente pararam de crescer: ficaram estáveis em maio, subiram pouco em junho e recuaram levemente em julho.
Não é um outlier puxando a média
Antes de fechar essa conclusão, vale testar se um único fabricante está distorcendo o resultado. Nos carros, a BYD sozinha cresceu mais de 100% no período. Será que, sem ela, o crescimento desapareceria? Não: tirando a BYD do cálculo, os carros ainda cresceram 12,7%. Nas motos, a Mottu (que não vende, só registra frota própria, como já mostramos por aqui) cresceu 26,6%, bem acima da média. Tirando a Mottu, motos cresceram 9,0%, praticamente igual ao número com ela incluída. Ou seja: mesmo isolando os dois “outliers” mais óbvios, carros seguem crescendo bem mais rápido que motos. Não é distorção de um fabricante, é uma diferença real entre os dois mercados.
Onde o crescimento está concentrado
Olhando modelo por modelo, os dois mercados também contam histórias diferentes sobre a origem do crescimento.
Nos carros, quem puxou a média pra cima não foi o líder tradicional: o VW Polo, ainda o carro mais vendido do país, teve queda de 8,2% no acumulado (70.156 para 64.436 unidades). O crescimento veio de marcas chinesas ganhando espaço rápido: BYD Dolphin Mini (+164,7%), BYD Song (+85,8%), GWM (+98,3% como marca) e Caoa Chery (+26,4%). É um mercado em recomposição, com o topo do ranking perdendo força enquanto novos entrantes crescem forte.
Nas motos, o quadro é mais parado. A Honda CG 160, a moto mais vendida do Brasil, cresceu 14,8% (267.980 para 307.744 unidades), acima da média do mercado. Mas os outros modelos populares da própria Honda mal se mexeram: a Biz cresceu 2,7%, a Pop 110i cresceu 6,3%. A Yamaha Fazer 250 ficou praticamente estável, com +1,3%. Fora a CG 160 e a Mottu Sport 110i (+26,6%, mas por expansão de frota, não venda direta), o resto do mercado de motos andou de lado.
Um terceiro ponto de comparação, pra completar o quadro: as picapes e comerciais leves cresceram 8,2% no mesmo período, ritmo parecido com o das motos e bem abaixo do dos carros de passeio. Vale um artigo à parte pra entender por que esse segmento também ficou pra trás.
O que isso significa pra quem vai financiar
Se você está pesquisando financiamento, seja de carro ou de moto, o cenário de juros em queda desde março favorece os dois, mas o ritmo de melhora foi bem mais consistente do lado dos carros nos últimos meses. Vale simular o financiamento agora e comparar taxas entre bancos, porque tanto o valor da parcela quanto a aprovação de crédito tendem a estar mais favoráveis do que estavam há um ano. E se você está de olho numa moto de marca tradicional (Honda, Yamaha), vale saber que o crescimento do setor está mais concentrado em nichos específicos (frotas de aplicativo, alguns modelos pontuais) do que espalhado pelo mercado todo, o que pode significar menos pressão de demanda e mais espaço pra negociar preço.
Use a ferramenta de carros mais vendidos do Brasil pra acompanhar como os dois mercados seguem evoluindo nos próximos meses.
Perguntas frequentes
Sim, em volume absoluto. No acumulado de janeiro a julho de 2026, foram 1.287.355 motos emplacadas contra 1.189.675 carros. A moto segue sendo o veículo mais registrado do país, mesmo crescendo mais devagar que os carros em 2026.
Funciona de forma parecida com o de carro: o comprador financia parte do valor com um banco ou a financeira da própria fabricante, paga uma entrada e parcela o restante com juros. O score de crédito e a renda comprovada influenciam a taxa e a aprovação.
O Polo segue sendo o carro mais vendido do Brasil, mas o crescimento do mercado em 2026 veio principalmente de marcas chinesas em expansão rápida, como BYD, GWM e Caoa Chery, que ganharam espaço enquanto o topo tradicional do ranking perdeu força.
Não há uma causa oficial confirmada, mas os dados mostram que o crescimento de motos está mais concentrado em nichos pontuais (a CG 160 e a expansão de frota da Mottu) do que espalhado pelo mercado, o que ajuda a explicar por que a média geral desacelerou mais rápido que a dos carros.
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