Menos cavalos nos carros novos: o que o IPI Verde mudou nos motores em 2026 e o que isso muda para você
O Hyundai i20 chegou ao mercado com 115 cv, não com os 120 cv que o mesmo motor entrega no HB20. Cinco cavalos a menos não é descuido técnico: é a resposta calculada da indústria a um imposto federal que passou a penalizar potência. E a Hyundai está longe de ser a única fazendo essa conta.
Salve, motorista! Desde que o programa federal Mover entrou em vigor com o chamado IPI Verde, a potência máxima do motor passou a ter peso direto na alíquota do imposto. Para as montadoras, recalibrar eletronicamente o motor é o caminho mais rápido para descer um degrau na tabela tributária. Chevrolet, Stellantis, Caoa Chery e Renault já foram por esse caminho. A diferença que você vai sentir no volante é quase nenhuma, mas o impacto na hora de comprar pode ser maior do que parece.
Por que a potência virou alvo do imposto
Pela tabela do IPI Verde, a alíquota-base para carros de passageiros é de 6,3%. Mas ela sobe conforme a potência do motor. O limite que as montadoras estão perseguindo é 85 kW, equivalente a 115,6 cv: abaixo desse patamar, nenhum acréscimo de IPI pelo critério de potência. Acima disso, as penalidades começam: +0,75 ponto percentual até 142,8 cv, +1,5 ponto até 179,5 cv, e +3 pontos percentuais para motores acima de 179,5 cv.
Para um motor turbo moderno, reduzir a potência máxima é questão de ajuste eletrônico, sem mexer em peças. O sistema de gerenciamento é reprogramado para entregar um pouco menos de força na faixa de maior rotação. Com centenas de milhares de unidades vendidas por ano, a diferença de alíquota vira margem real. É por isso que o número 115 cv começou a aparecer com tanta frequência nas fichas técnicas.
Quais modelos já foram recalibrados
A Hyundai começou pelo i20, e a tendência é que HB20, HB20S e Creta 1.0 TGDI sigam o mesmo caminho, passando dos 120 cv atuais para 115 cv. A Chevrolet fez movimento parecido: Onix, Onix Plus e Tracker tiveram os 116 cv originais ajustados para a casa dos 115 cv. O Sonic, novo SUV cupê da marca, já saiu de fábrica com a calibração nova.
A Caoa Chery ajustou dois motores: o 1.5 turbo do Tiggo 7 Sport foi calibrado para 143 cv (teto da faixa seguinte na tabela), enquanto o 1.6 turbo do Tiggo 7 e Tiggo 8 saiu de 187 cv para 180 cv, logo abaixo do limite de 179,5 cv. A Stellantis reduziu o T270 1.3 turbo de 185 cv para 176 cv em 2025, combinando a adequação ao Proconve L8 com a descida de faixa tributária. Agora o mesmo movimento deve chegar ao T200 1.0 turbo: previsão de 116 cv no Jeep Avenger, afetando também Fiat Pulse, Strada e Fastback, além de Peugeot 208, 2008, Citroën C3, Aircross e Basalt. A Renault estuda recalibrar o Kardian dos 125 cv atuais para próximo do limite de 115,6 cv.
Você vai sentir a diferença no volante?
Provavelmente não. Em motores turbo, a potência máxima aparece em rotações altas, que raramente são usadas no trânsito do dia a dia. O que você sente nas saídas, nas ultrapassagens e nas subidas é principalmente o torque, e esse dado foi mantido em todas as recalibrações até agora. O Hyundai i20, por exemplo, continua com 17,5 kgfm de torque, entregue em baixa rotação.
Quem usa o carro em situações de maior demanda, como carregar peso frequente ou fazer viagens em serras, pode sentir mais do que o motorista urbano típico. Para a maioria dos compradores, porém, a diferença de cinco cavalos em um motor já turbinado é imperceptível.
O que muda na prática, na visão de quem lida com documentação de veículo todos os dias
Aqui está o ponto que muita concessionária não vai mencionar. Pagar menos IPI não está se traduzindo em carros mais baratos, pelo menos por enquanto. As montadoras têm absorvido o benefício tributário para recompor margem e financiar novas tecnologias. A recalibração beneficia a fábrica, não necessariamente o consumidor final.
A exceção pode vir pelo Programa Carro Sustentável, que prevê IPI zero até 31 de dezembro de 2026 para versões que cumpram uma lista de exigências: emissões de até 83 g de CO2 por km no ciclo do poço à roda, ao menos 80% de reciclabilidade, fabricação nacional com etapas definidas em decreto, e enquadramento como subcompacto, compacto, SUV compacto ou picape compacta. Quando o benefício for IPI zero, o repasse ao consumidor tende a aparecer mais claramente no preço de tabela.
Quem está no mercado de usados também precisa prestar atenção. O mesmo modelo, do mesmo ano, pode ter calibrações diferentes dependendo de quando foi fabricado. Um Onix com 116 cv e um Onix com 115 cv são tecnicamente carros distintos, e essa diferença aparece no CRV (Certificado de Registro de Veículo). Na hora de vender, isso pode gerar dúvidas se o comprador estiver comparando fichas técnicas. Conferir os dados reais do CRV antes de fechar negócio evita essa confusão, e um despachante consegue puxar esses dados rapidamente antes de você assinar qualquer documento.
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Perguntas frequentes sobre IPI Verde e potência dos carros
Não necessariamente. As recalibrações feitas até agora preservaram o torque dos motores, que é o que você sente nas saídas e retomadas do dia a dia. A potência máxima aparece em rotações altas, pouco usadas no trânsito urbano. Para a maioria dos motoristas, a diferença de cinco cavalos em um motor turbo é imperceptível na prática.
Por enquanto, não. As montadoras têm absorvido o benefício tributário para recompor margens e financiar novas tecnologias. O preço ao consumidor não recuou de forma expressiva com as recalibrações feitas até agora. A exceção pode vir pelo Programa Carro Sustentável, que prevê IPI zero até 31 de dezembro de 2026 para versões que cumpram requisitos específicos.
Entre os confirmados: Hyundai i20 (de 120 cv para 115 cv), com previsão de mudança no HB20, HB20S e Creta 1.0; Chevrolet Onix, Onix Plus e Tracker (de 116 cv para 115 cv); Caoa Chery Tiggo 7 Sport (1.5 turbo para 143 cv) e Tiggo 7/8 (1.6 turbo de 187 cv para 180 cv); Stellantis T270 1.3 turbo (de 185 cv para 176 cv), com recalibração prevista também para o T200 1.0 turbo; e Renault Kardian, com redução em estudo.
É o novo modelo de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados para veículos, criado dentro do programa federal Mover. Em vez de uma alíquota fixa, o imposto varia conforme critérios como tecnologia de propulsão, eficiência energética, potência, segurança e reciclabilidade. Para carros flex de passageiros, a potência do motor é um dos pontos mais sensíveis da tabela.
Sim. A potência registrada no CRV (Certificado de Registro de Veículo) reflete as especificações do fabricante. Um mesmo modelo com calibrações diferentes, mesmo sendo do mesmo ano, pode ter dados distintos no documento. Na hora de comprar um usado ou comparar fichas técnicas, vale conferir o CRV para garantir que os dados batem com o anúncio.
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