Roubos de carros elétricos em SP cresceram 129% em 2026: entenda como se proteger

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Icone de tempo Atualizado em 18/09/2026 | Icone de calendário Publicado em 18/09/2026 |

Os crimes contra carros elétricos e híbridos no Brasil não acompanharam só o crescimento da frota, eles ultrapassaram. Em São Paulo, o número de roubos e furtos mais que dobrou entre janeiro e maio de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto a frota cresceu menos da metade disso. Quem acabou de investir em um elétrico precisa entender o que está acontecendo.

 
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Salve, motorista! Os dados foram levantados pela empresa de telemetria Ituran Brasil com base nas estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). As ocorrências saltaram de 44 para 101 registros nos primeiros cinco meses de 2026, uma alta de 129%. Um segundo estudo da mesma empresa para o mesmo período aponta 107 casos em 2026 contra 53 em 2025, variação de 101%. A capital paulista concentrou a maioria: 74 registros só em São Paulo entre janeiro e maio de 2026.

Para comparar: a frota total de elétricos e híbridos no Brasil foi de 445,9 mil para 765,9 mil unidades entre maio de 2025 e maio de 2026, crescimento de 71,7%, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Os crimes cresceram numa proporção quase duas vezes maior que a frota.

Elétrico é mais fácil de roubar?

A resposta direta é: não necessariamente. Para Ricardo Bastos, presidente da ABVE, o que mudou não foi a vulnerabilidade dos veículos, mas o nível de familiaridade dos criminosos com eles. “Do outro lado, os bandidos também começaram a entender melhor o carro elétrico”, afirmou o executivo. Em outras palavras, os criminosos identificaram o alto valor desses modelos no mercado e passaram a agir com mais confiança.

 
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Do ponto de vista técnico, elétricos modernos têm sistemas eletrônicos de segurança muito parecidos com os de carros a combustão de última geração. Modelos com chave de aproximação, por exemplo, apresentam nível de proteção similar. O que atrai o crime é o preço, não uma brecha tecnológica específica.

Por que ninguém rouba só a bateria

A bateria é a peça mais valiosa de um carro elétrico ou híbrido plug-in. Mesmo assim, os dados oficiais não registram casos significativos de furto isolado desse componente, e os motivos são práticos: o pacote de células fica integrado ao assoalho do veículo, preso por dezenas de parafusos. O conjunto pesa entre 300 e 500 kg, exige elevação do carro e plataforma de suporte para ser removido. E ainda opera em tensões altíssimas, o que transforma qualquer erro em risco de choque elétrico fatal ou incêndio.

Por isso, o método mais comum é levar o carro inteiro. O desmanche acontece depois, com o criminoso em ambiente controlado. Bastos lembra que muitas baterias atuais são rastreáveis e têm características técnicas específicas por montadora, o que dificulta a venda no mercado paralelo sem chamar atenção.

Cabo de carregador virou alvo também

Além dos veículos, os eletropostos estão sofrendo com uma onda de furtos de cabos de carregamento. O atrativo é o cobre, que tem valor considerável no mercado clandestino de sucata. Casos foram registrados em Curitiba, Florianópolis e Brasília, com ações que duram menos de 30 segundos. Os carregadores ficam expostos em estacionamentos e áreas de circulação pública, o que facilita o acesso.

 
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Segundo Arthur Carrão, CEO da Recharge Brasil, as empresas de recarga já respondem ao problema com reforço físico no cabeamento, usando aço ou malhas metálicas, e com compartimentos protegidos que só abrem por QR Code no momento do carregamento. Quem usa eletroposto público deve prestar atenção ao estado do equipamento antes de conectar o veículo.

O que muda na hora de comprar um elétrico usado

Aqui entra um ponto que quem trabalha com documentação de veículo todo dia vê com frequência: a tentação de comprar bateria de origem duvidosa quando a original falha. Bastos foi direto ao dizer que não recomenda essa prática. Baterias vendidas em sites paralelos ou mercados informais podem ter origem em veículos furtados, e a instalação por mão de obra não especializada ainda representa risco real de segurança.

Na prática, isso tem impacto no processo de transferência também. Um carro elétrico com bateria substituída informalmente pode apresentar inconsistências na inspeção veicular ou no laudo de vistoria exigido para transferência. Se o número de série da bateria não bater com o registro do fabricante, o processo trava, e resolver isso exige tempo e, muitas vezes, suporte direto da montadora. Antes de fechar negócio com um elétrico ou híbrido usado, vale checar o histórico do veículo e, se possível, solicitar a nota fiscal da bateria original ou do serviço de substituição autorizado.

Como reduzir o risco no dia a dia

As orientações práticas para motoristas de elétricos e híbridos não são muito diferentes das que valem para qualquer carro de valor elevado. Ao se aproximar do veículo, observe o entorno antes de desbloquear. Assim que entrar, trave as portas e coloque o carro em movimento. Evite ficar parado com o motor ligado em locais isolados, especialmente à noite.

No trânsito, prefira as faixas centrais, que ficam mais distantes das calçadas. Vidros fechados e atenção ao semáforo são hábitos simples que fazem diferença real. Se o pneu furar em local ermo, não pare imediatamente: siga até um posto de combustível ou área movimentada antes de resolver o problema.

Para quem ainda não contratou rastreador veicular, o momento é agora. Elétricos com alto valor de mercado são exatamente o perfil que os criminosos estão mirando, e um rastreador reduz o tempo de recuperação em caso de furto. Alguns seguros já incluem essa tecnologia no pacote, então vale revisar a apólice antes de contratar separado.


Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:


Perguntas frequentes sobre roubos de carros elétricos

Carro elétrico é mais fácil de roubar do que carro a combustão?

Não necessariamente. Os sistemas eletrônicos de segurança de elétricos modernos são muito parecidos com os de carros a combustão de última geração. O aumento nos crimes está ligado ao maior valor de mercado desses veículos e à familiaridade crescente dos criminosos com a tecnologia, não a uma vulnerabilidade específica.

Por que os criminosos não roubam só a bateria do elétrico?

A bateria de um carro elétrico ou híbrido pesa entre 300 e 500 kg, fica integrada ao assoalho do veículo e opera em altíssima tensão elétrica. Remover o componente exige equipamento específico, tempo e risco real de choque fatal ou incêndio. Por isso, o método mais comum é furtar o carro inteiro.

Posso comprar uma bateria de elétrico de segunda mão para substituir a original?

Não é recomendado. Baterias vendidas em mercados paralelos podem ter origem em veículos furtados, e a instalação por mão de obra não autorizada representa risco de segurança. Além disso, um carro com bateria substituída informalmente pode ter problemas na vistoria exigida para transferência de propriedade. O procedimento deve ser realizado sempre pela concessionária ou serviço autorizado da montadora.

O furto de cabos de carregador é comum no Brasil?

Casos foram registrados em Curitiba, Florianópolis e Brasília em 2026. Os criminosos são atraídos pelo cobre presente nos cabos, e a ação pode durar menos de 30 segundos. As empresas de recarga já adotam revestimento metálico e compartimentos com liberação por QR Code para dificultar o furto.

O que verificar antes de comprar um carro elétrico ou híbrido usado?

Consulte o histórico do veículo, verifique se a bateria original está documentada com nota fiscal e confirme se eventuais substituições foram feitas por serviço autorizado. Na transferência, inconsistências no registro da bateria podem travar o processo no Detran. Se tiver dúvida, um despachante pode ajudar a checar a documentação antes de você fechar o negócio.

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