Renault Kwid usado vale a pena? O que checar antes de comprar pelo preço mais baixo do mercado
O Renault Kwid 2020 aparece na tabela Fipe por R$ 40.310, o que o coloca entre os carros usados mais acessíveis do mercado hoje. Mas preço baixo não é o único critério para avaliar um usado, e o Kwid tem pontos específicos que você precisa verificar antes de fechar negócio.
Salve, motorista! O Kwid chegou ao Brasil em 2017 com a proposta de um SUV compacto, alto do solo e econômico. Na prática, é um carro essencialmente urbano: 786 kg de peso, 3,68 m de comprimento e motor tricilíndrico 1.0 flex com até 70 cv rodando a etanol. O porta-malas tem 290 litros, compatível com hatches de categoria superior, e o consumo com gasolina chega a 14,9 km/l na cidade segundo o Inmetro, com nota A na categoria. Para quem precisa de um carro para o dia a dia urbano gastando o mínimo de combustível, faz sentido. Mas há pontos de atenção antes de assinar.
O que o Kwid entrega de bom
O consumo é o argumento mais forte. Com gasolina, o Inmetro registra 14,9 km/l na cidade e 15,6 km/l na estrada. O carro é ágil, com dimensões pequenas que facilitam a vida em cidades congestionadas, e o tanque de 38 litros costuma durar mais do que parece no uso urbano. A suspensão é confortável para a categoria, e proprietários relatam satisfação no custo diário, especialmente quem usa o carro para trabalho. Para quem só precisa ir do ponto A ao ponto B sem gastar muito com combustível, o Kwid cumpre o que promete.
O que você precisa verificar antes de comprar
O motor tricilíndrico SCe 1.0 tem um ponto frágil conhecido: a tampa de válvulas em polímero. O calor do motor empenha o componente ao longo do tempo, causando vazamento de óleo. A solução é a substituição da peça, que resolve o problema, mas é algo que você precisa perguntar ao vendedor antes de fechar. Se o problema ainda não foi corrigido, negocie desconto considerando o custo do reparo.
Os coxins do motor e da transmissão também pedem atenção. Ao substituir, use sempre peças originais: as alternativas do mercado de reposição não absorvem as vibrações adequadamente, e um coxim fora do padrão pode sobrecarregar o que acabou de ser trocado. Outro item da manutenção: o lubrificante do câmbio manual deve ser trocado a cada 50.000 a 60.000 quilômetros. Se o histórico do carro não tiver esse registro, já sabe o que entra na lista de revisão.
Na suspensão, preste atenção às buchas, pivôs e terminais de direção. Molas e amortecedores têm boa vida útil e não são prioridade nessa verificação. O eixo traseiro também pede inspeção. Para o fluido de freio, oficinas especializadas recomendam o DOT 4 pela melhor troca de calor.
Prefira o modelo 2020 em diante
Os modelos anteriores a 2020 têm freios a disco sólido no eixo dianteiro, o que compromete a frenagem em situações de urgência. Proprietários relatam que era necessário pisar “com bastante força” no pedal para conseguir a distância de parada esperada. Em 2020, com a chegada da versão Outsider, a Renault substituiu por discos ventilados, corrigindo esse problema de projeto. Se a sua lista de opções incluir modelos de anos diferentes, o ano 2020 é o ponto de corte.
O que um despachante verifica antes de você comprar
Carro usado barato pode virar dor de cabeça rápido se tiver pendências documentais que o vendedor não menciona, às vezes porque nem sabe que existem. Multas não pagas acumulam juros e travam o licenciamento. Financiamento não quitado gera alienação fiduciária, o que impede a transferência. Restrições judiciais bloqueiam o processo até resolução em cartório. Nenhum desses problemas aparece em uma inspeção mecânica, e boa parte dos compradores descobre a situação só quando tenta transferir o veículo para o próprio nome.
Antes de assinar o contrato de compra e venda, verifique: débitos de IPVA, licenciamento e multas; existência de alienação fiduciária; restrições pelo número do Renavam. Esse levantamento pode ser feito por um despachante antes de você fechar negócio, e o custo é pequeno frente ao risco de comprar um carro com histórico sujo. Depois da compra, a transferência de titularidade tem prazo de 30 dias corridos. Perder esse prazo gera multa e pode complicar o licenciamento.
Alternativas pelo mesmo preço
Se você está com orçamento entre R$ 40 mil e R$ 48 mil, existem outras opções no mercado. O Chevrolet Cobalt LTZ 1.4 2015 sai por R$ 42.148 na Fipe: é um sedã com porta-malas de 563 litros e entre-eixos de 2,62 m, bom para quem precisa de espaço e conforto em viagens maiores. O Fiat Uno Evolution 1.4 2015 por R$ 44.395 foi o primeiro nacional com sistema start-stop e motor com até 88 cv com etanol. Já o Renault Duster Dynamique 1.6 2012 por R$ 47.509 entrega amplitude real, com 475 litros de porta-malas e 2,67 m de entre-eixos, mas o motor 1.6 de 115 cv tem desempenho modesto para o porte do carro.
A escolha depende do uso. Para cidade, consumo baixo e praticidade, o Kwid faz sentido desde que você compre o ano 2020 em diante e verifique os itens de manutenção listados acima. Para quem precisa de mais espaço ou roda muito na estrada, as alternativas entregam mais por uma diferença de preço pequena.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre Renault Kwid usado
A versão Kwid Intense 1.0 SCe 2020 aparece na tabela Fipe por R$ 40.310. O valor pode variar conforme o estado de conservação, a quilometragem e a localização do veículo.
Sim. Segundo o Inmetro, o Kwid 2020 consome 14,9 km/l na cidade e 15,6 km/l na estrada com gasolina, com nota A na categoria. É um dos carros mais econômicos da faixa de preço.
O principal é o empenamento da tampa de válvulas do motor, feita em polímero, que pode causar vazamento de óleo com o uso prolongado. Nos modelos anteriores a 2020, os freios a disco sólido na dianteira são menos eficientes. Coxins do motor e câmbio também pedem atenção na revisão.
A transferência de titularidade deve ser feita em até 30 dias após a data da compra e venda. Antes de assinar, verifique se o veículo tem débitos de IPVA, multas em aberto, alienação fiduciária ou restrições judiciais. Um despachante pode checar a situação documental antes da compra e cuidar da transferência depois que o negócio for fechado.
Prefira o ano 2020 em diante. A partir desse modelo, a Renault substituiu os discos de freio sólidos por ventilados na dianteira, corrigindo um problema de projeto que comprometia a frenagem nos modelos mais antigos.
Qual a sua nota para este texto?
Clique nas estrelas
Nota 0,0 / 5 de 0 avaliação
Deixe um comentário