Brasil bate novo recorde de carros blindados no primeiro semestre; SUVs eletrificados lideram a procura
O Brasil registrou 17.290 autorizações de blindagem de veículos nos primeiros seis meses de 2026, alta de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin). É o melhor resultado já registrado para um primeiro semestre e mantém o país na liderança mundial em blindagem civil.
Salve, motorista! Se você ainda associa carro blindado a executivo de terno ou autoridade com escolta, os números de 2026 mostram que esse mercado mudou bastante. Famílias, empresários e proprietários de SUVs eletrificados estão puxando a demanda, e a Abrablin projeta encerrar o ano com mais um recorde anual. Seria o sexto ano consecutivo de crescimento do setor.
BYD Song Plus lidera: quais são os carros mais blindados do Brasil?
O destaque de 2026 é uma surpresa para muita gente. O BYD Song Plus, híbrido plug-in chinês, assumiu a liderança entre os modelos mais blindados do país com 1.069 unidades no semestre. Em segundo lugar aparece o Toyota Corolla Cross, com 804 blindagens. O pódio é completado pelo Jeep Commander, seguido pelo Jeep Compass e pelo GWM Haval H6.
O ranking ainda inclui Volvo XC60, Volkswagen Taos, BMW X1, Volkswagen T-Cross e BMW X3, uma lista que mistura SUVs de entrada, intermediários e premium. O que eles têm em comum: são utilitários esportivos, quase todos com algum grau de eletrificação. Entre as fabricantes, a Toyota ainda lidera o volume total somando Corolla Cross e Corolla, mas a BYD mostrou que os elétricos chegaram de vez a esse segmento.
Por que mais gente está blindando o carro?
A Abrablin aponta a sensação de insegurança nas grandes cidades como o principal motor da decisão de blindar. Não é novidade, mas o movimento ganhou força desde a pandemia e não deu sinais de recuar. O que mudou é que a blindagem ficou mais acessível, não só em preço, mas em praticidade.
Os materiais modernos, como kevlar e aramida, são consideravelmente mais leves do que as soluções de aço usadas décadas atrás. Isso preserva melhor o desempenho do veículo e reduz o impacto no consumo. Para elétricos e híbridos, as empresas do setor já desenvolveram processos específicos que respeitam baterias de alta tensão e estruturas reforçadas de fábrica.
São Paulo e Rio concentram 80% das blindagens do país
A distribuição geográfica permanece estável. São Paulo e Rio de Janeiro juntos respondem por aproximadamente 80% das blindagens realizadas no Brasil. A maior frota de veículos combinada com a percepção de risco nas regiões metropolitanas explica a discrepância em relação ao restante do país.
O nível de blindagem mais utilizado continua sendo o nível III-A, autorizado para uso civil. Ele oferece proteção contra disparos de armas curtas de alto calibre, como pistolas 9 mm, revólveres .44 Magnum e submetralhadoras. A frota nacional de blindados já ultrapassa 425 mil veículos.
O que muda nos documentos de um carro blindado?
Aqui a conversa fica importante. Blindar um veículo no Brasil não é só uma questão de segurança física: existe uma burocracia específica que muita gente ignora, e é aí que o problema aparece lá na frente.
A blindagem precisa ser feita por uma empresa certificada pelo Exército Brasileiro. O proprietário recebe um certificado de blindagem que deve andar junto com os documentos do veículo. Esse documento comprova que o serviço foi feito dentro dos parâmetros legais e com o nível autorizado para uso civil. Circular sem essa documentação pode gerar problemas em abordagens policiais.
Na hora de vender ou transferir o carro, a blindagem entra no histórico do veículo e precisa constar na documentação de transferência. O valor do bem também sobe, o que pode impactar o cálculo do IPVA e a contratação de seguro, que precisa ser específico para blindados. Seguros convencionais geralmente não cobrem blindagem, então revisar a apólice antes de mandar o carro para a blindadora é o caminho certo.
Se você está comprando um carro blindado de segunda mão, vale conferir se o certificado do Exército acompanha o veículo e se a empresa que fez o serviço tem histórico no setor. Um despachante pode ajudar a verificar a regularidade do processo de transferência e checar se há pendências na documentação antes de você fechar negócio.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre blindagem de veículos
Sim. A blindagem precisa ser feita por uma empresa certificada pelo Exército Brasileiro. Ao final do processo, o proprietário recebe um certificado de blindagem que deve ser mantido com os documentos do veículo.
O nível máximo permitido para uso civil no Brasil é o nível III-A, que oferece proteção contra armas curtas de alto calibre, como pistolas 9 mm, revólveres .44 Magnum e submetralhadoras. Níveis superiores são restritos a forças de segurança e militares.
Pode sim. Como a blindagem aumenta o valor de mercado do veículo, o IPVA pode ser calculado sobre um valor venal mais alto, dependendo do critério adotado pelo estado. Vale conferir com o Detran do seu estado após realizar o serviço.
Sim, mas a documentação da blindagem precisa acompanhar o processo. O certificado emitido pelo Exército deve constar na transferência. Se o documento não estiver em ordem, o processo pode ser barrado. Um despachante consegue verificar a situação antes de você iniciar a transferência.
Na maioria dos casos, não. Seguros convencionais geralmente excluem a blindagem da cobertura ou a calculam de forma inadequada. O ideal é contratar uma apólice específica para veículos blindados antes mesmo de mandar o carro para a empresa especializada.
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