Carros elétricos que mais e menos desvalorizam no Brasil em 2026: o que o ranking revela antes de você comprar
Um levantamento da Webmotors, publicado no especial Qual Comprar 2026 da Autoesporte, mapeou a depreciação de mais de 200 modelos à venda no Brasil, e o resultado surpreende em dois sentidos: há elétricos que praticamente não perdem valor e há um que derrete mais de metade do preço em 12 meses.
Salve, motorista! A desvalorização sempre foi o argumento favorito de quem torce o nariz para os elétricos. O problema é que esse argumento ganhou um porém: depende muito do modelo. Alguns elétricos seguram o valor melhor do que a média dos carros a combustão da mesma faixa de preço. Outros, francamente, despencam. O levantamento usa como base a variação de preços nos anúncios da Webmotors ao longo de um ano, o que dá uma fotografia real do que o mercado de usados está pagando, não do que o fabricante gostaria que valesse.
Os elétricos que menos perdem valor em 2026
O Geely EX2 lidera com 0,1% de depreciação no período, mas vale uma ressalva: é um modelo com pouco tempo de mercado e poucos anúncios de revenda circulando. Quando há volume baixo de dados, a variação tende a ser pequena por falta de referência, não necessariamente porque o carro segura bem o valor no longo prazo. O Leapmotor C10 vem na sequência, com 0,5%, na mesma situação.
Mais interessante é o caso do Chevrolet Spark EUV, com apenas 3,3% de depreciação. Ele tem mais tempo de mercado do que os dois primeiros, e ainda assim segura bem o valor. O GAC Aion Y fica em quarto com 3,4%, e o MG4 fecha o top 5 com 4,5%. Os demais da lista incluem BYD Yuan Pro (6%), BYD Dolphin (6,7%), GAC Aion V (6,8%), Volvo EX30 (8%) e Chevrolet Captiva EV (9,1%).
O extremo oposto: o elétrico que perdeu metade do valor em um ano
O JAC E-JS4 registrou 50,4% de depreciação em 12 meses. Não é apenas o elétrico que mais desvaloriza no Brasil, é o carro que mais desvaloriza entre todos os mais de 200 modelos avaliados no Qual Comprar 2026, incluindo modelos a combustão e híbridos. Um carro comprado por R$ 200.000 pode estar valendo por volta de R$ 99.000 um ano depois. O irmão maior, o JAC E-J7, aparece logo atrás com 38,8%.
O Mini Cooper elétrico registrou 31% de depreciação, o que pode pesar na decisão de quem queria o hatch britânico pela exclusividade mas pensa em revender em alguns anos. BYD Seal (24,7%) e Mini Aceman (24%) completam o top 5 dos que mais perdem. Zeekr X e JAC E-JS1 (21,5% cada), Renault Megane E-Tech (21,4%), Omoda E5 (12,9%) e Geely EX5 (11,1%) fecham a lista.
O que a depreciação muda na documentação e no financiamento
Esse é o ponto que a maioria dos rankings de desvalorização passa em branco, e é onde entra a experiência de despachante. Quando um elétrico perde muito valor, isso tem efeito direto em dois momentos importantes: no IPVA e no financiamento.
O IPVA é calculado com base no valor de mercado do veículo. Se o carro despencou, o imposto cai junto no ano seguinte. Nesse sentido, a desvalorização alta funciona como uma redução do custo de propriedade ao longo do tempo. Mas o mesmo não vale para quem financiou. Se você comprou um JAC E-JS4 financiado por 48 meses e decidir vender após 12 meses, há grande chance de o saldo devedor no banco ser maior do que o que o comprador está disposto a pagar. Você vai precisar completar a diferença do bolso para quitar o contrato e conseguir transferir o veículo. É uma armadilha que não aparece no folder do zero-km.
Comprar um elétrico usado desvalorizado pode ser oportunidade, com cautela
Um BYD Seal que perdeu quase 25% do valor original pode ser uma entrada mais acessível para o segmento elétrico. O problema é que a verificação de um elétrico usado exige atenção diferente da de um carro a combustão, e muita gente não sabe o que checar.
Antes de fechar negócio, verifique: histórico de sinistro pelo número de chassi, existência de gravame ativo (financiamento em nome do vendedor), multas e débitos pendentes, e se a vistoria inclui avaliação da bateria de tração. As três primeiras verificações um despachante resolve em minutos nos sistemas, e custam uma fração do prejuízo de descobrir depois da transferência que o carro tinha restrição que o vendedor não revelou. A avaliação da bateria é responsabilidade de uma oficina especializada, mas sem ela, você está comprando um elétrico às cegas.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre desvalorização de carros elétricos
Sim. O IPVA é calculado com base no valor de mercado do veículo, que os estados atualizam anualmente com base em tabelas de referência. Se o carro perdeu muito valor, o imposto do ano seguinte tende a ser menor. Mas esse alívio não compensa um saldo de financiamento maior do que o preço de revenda, então avalie o cenário completo antes de considerar isso uma vantagem.
Pode, com cautela. A desvalorização alta pode significar entrada mais barata no segmento elétrico, mas exige verificação cuidadosa do histórico do veículo, situação de financiamento (gravame) e estado da bateria de tração. Sem essas verificações, o desconto no preço pode virar prejuízo depois.
Pelo número do chassi ou placa, nos sistemas de consulta veicular. Um despachante faz essa verificação nos sistemas do Detran e do Banco Central em minutos. Se houver gravame ativo, o veículo não pode ser transferido enquanto o financiamento não for quitado ou o banco não autorizar a transferência.
Não. O levantamento usa como base os anúncios da Webmotors ao longo de um ano. Modelos com pouco tempo de mercado e poucos anúncios podem ter resultados menos representativos. Para carros como o Geely EX2 e o Leapmotor C10, o histórico ainda é curto e a depreciação real no longo prazo pode ser diferente do que o índice atual indica.
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