Frota de motos cresce quase 50% em dez anos: Entenda porque brasileiros estão preferindo motos do que carros
A frota de motocicletas no Brasil chegou a 38,3 milhões de unidades em 2026, um avanço de 46,8% em uma década, segundo levantamento da Abraciclo divulgado no Dia do Motociclista. A moto deixou de ser apenas opção de locomoção e virou ferramenta central de trabalho e renda para milhões de brasileiros, e os números mostram que esse movimento não tem sinal de parar.
Salve, motorista! Por trás desse crescimento tem uma combinação que qualquer brasileiro vai reconhecer: custo de vida alto, expansão do delivery, busca por autonomia financeira. A moto entrou como a saída mais acessível para quem precisava trabalhar com transporte ou simplesmente se locomover sem o peso das despesas de um carro. E o perfil de quem pilota no Brasil mudou bastante nesse período, com destaque expressivo para o crescimento feminino nas regiões Norte e Nordeste.
O que impulsionou o crescimento das motos no Brasil
A Abraciclo aponta dois vetores principais: a expansão do mercado de entregas por aplicativo e do mototáxi, e a busca por mobilidade de baixo custo. Para quem ficou sem emprego ou quis complementar a renda, a moto foi o caminho mais rápido, com custo de aquisição, combustível e manutenção muito abaixo do carro.
Esse cenário fez a moto ganhar um papel que vai além da mobilidade individual. Nas cidades pequenas e médias do interior, ela é o principal meio de transporte para trabalhadores e estudantes. Nas capitais, sustenta boa parte da logística de entrega. Em estados do Norte e Nordeste, onde o transporte público é mais precário, ela virou simplesmente essencial.
Mulheres lideraram o avanço nas habilitações
Um dado do levantamento que chama atenção é o crescimento feminino. O número de mulheres habilitadas para pilotar motos subiu 58,9% em dez anos, chegando a 10,8 milhões de condutoras. A alta foi ainda mais expressiva em estados do Nordeste e Norte.
Alagoas registrou o maior crescimento percentual no número de habilitações na Categoria A no período: 233,6% entre mulheres e 72,9% entre homens. O Amazonas ficou em segundo no ranking nacional, seguido de Sergipe, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia. No total, o número de habilitados na Categoria A no Brasil chegou a 42,7 milhões de pessoas, crescimento de 39% na década.
O que quem quer entrar nessa frota precisa saber antes de ir ao Detran
Com tanta gente migrando para as duas rodas, um erro frequente aparece nos Detrans do país: o motorista que já tem Categoria B (habilitação para carro) acredita que pode pilotar qualquer moto. Não pode.
A Categoria B permite apenas ciclomotores, veículos de até 50cc. Para pilotar qualquer moto convencional, você precisa da Categoria A, que habilita para motos de qualquer cilindrada, ou da Categoria AB, que combina as duas. Pilotar fora da habilitação é infração grave: multa, pontos na CNH e retenção do veículo na abordagem.
Quem já tem a Categoria B e quer adicionar a Categoria A não precisa refazer todo o processo. É possível acrescentar a categoria pela mesma autoescola, cumprindo etapas específicas de direção defensiva e o exame prático de pátio e via. O processo é mais curto do que tirar a primeira CNH, mas tem seus requisitos próprios. Vale confirmar prazos e exigências no Detran do seu estado, já que variam.
Quem nunca teve CNH começa pelo processo completo: aulas teóricas, exame de legislação, aulas práticas em pátio e em via pública, e exame final. Para moto, há ainda uma etapa específica de treinamento no pátio com manobras obrigatórias, como o oito e a condução lenta. Pular essa etapa ou ir com a habilitação errada é o tipo de erro que despachante experiente vê o tempo todo, e que gera retrabalho e custo desnecessário.
Segurança: o desafio que vem junto com o crescimento
Com a frota chegando perto de 40 milhões de unidades, a Abraciclo reconhece que o principal desafio dos próximos anos é a segurança. A entidade defende campanhas de pilotagem segura e educação no trânsito para reduzir os índices de acidentes, especialmente nas vias urbanas.
Na prática, entrar para a frota com responsabilidade começa pela habilitação correta. Depois vem o equipamento obrigatório: capacete certificado pelo Inmetro, luvas, jaqueta com proteção e calçado fechado. Quem trabalha com entrega ainda precisa atenção ao peso e à distribuição da carga, que afetam o equilíbrio em manobras. São detalhes que quem lida com documentação veicular todo dia já viu custar caro para quem pulou a etapa da formação.
Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:
Perguntas frequentes sobre habilitação de moto e frota de motocicletas
Somente ciclomotores, que são veículos de até 50cc, como alguns scooters. Para qualquer moto convencional, é necessária a Categoria A ou AB na CNH. Pilotar moto com apenas Categoria B é infração grave, com multa e retenção do veículo.
Quem já tem Categoria B pode acrescentar a Categoria A sem refazer o processo completo. O procedimento envolve aulas específicas de direção defensiva para motos, exame de pátio com manobras obrigatórias e exame em via pública. Procure uma autoescola credenciada e confirme os requisitos no Detran do seu estado.
Sim. A Categoria A autoriza a condução de motocicletas e motonetas de qualquer cilindrada. Já a Categoria B permite apenas ciclomotores (até 50cc). A Categoria AB combina as duas habilitações.
Além da CNH na Categoria A ou AB, o mototaxista e o motoboy precisam do CRLV do veículo em dia, seguro obrigatório (DPVAT, onde aplicável) e o uso dos equipamentos de proteção obrigatórios. Algumas prefeituras exigem ainda cadastro específico para mototaxistas. Verifique as regras do município onde você atua.
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