Fim do carro popular, avanço das chinesas e IA na decisão de compra: o que o mercado automotivo reserva para o motorista brasileiro

0
/ 5
(0)
Icone de tempo Atualizado em 07/07/2026 | Icone de calendário Publicado em 07/07/2026 |

O carro popular está sumindo das concessionárias brasileiras. Marcas chinesas devem chegar a 30% do mercado até 2030. E mais da metade dos brasileiros já usa inteligência artificial para escolher o próximo veículo. Essas não são projeções otimistas de um relatório qualquer, mas conclusões apresentadas por especialistas em dois dos maiores eventos do setor automotivo realizados recentemente no país.

App Dok no celular
Grátis para iOS e
Android
O copiloto do motorista brasileiro
Disponível na
App Store
Disponível no
Google Play

Salve, motorista! O Future Mobility, em São Paulo, e o Energy Summit, no Rio de Janeiro, reuniram fabricantes, fornecedores, especialistas em tecnologia e consultores para discutir o que vem por aí. O resultado é um retrato bem diferente do mercado que a maioria dos motoristas conhece hoje, e que vai impactar tanto quem planeja comprar um carro quanto quem já tem um na garagem.

Durante o Future Mobility, o consultor Murilo Briganti, da Bright Consulting, chamou atenção para algo que muita gente já sente no bolso sem entender o motivo: os modelos básicos e mais baratos estão sumindo das lojas. A explicação tem duas frentes. De um lado, novas exigências regulatórias de segurança e eficiência energética obrigam as montadoras a adicionar mais itens ao carro, o que eleva o custo de desenvolvimento e produção. De outro, a pressão das marcas chinesas forçou uma competição por preço que beneficia quem busca mais equipamentos pelo mesmo dinheiro.

A previsão de Briganti é direta: até 2030, veículos de origem chinesa, sejam importados ou produzidos localmente no Brasil, podem representar 30% dos emplacamentos. Hoje, nomes como GWM, BYD, Chery, Geely e JMEV já estão nas ruas e nas concessionárias. O que muda nesse cenário não é só o preço na etiqueta, mas a forma como o motorista pesquisa, negocia e documenta a compra.

Flex, híbrido ou elétrico? A resposta é: todos ao mesmo tempo

Quem esperava uma resposta definitiva sobre qual tecnologia vai dominar vai ter que esperar mais. A conclusão dos especialistas é que motores flex, semi-híbridos, híbridos plenos, híbridos plug-in e elétricos puros vão conviver no mercado brasileiro por pelo menos mais alguns anos. Isso amplia as opções para o consumidor, mas exige mais atenção na hora de comparar custo de manutenção, autonomia e disponibilidade de infraestrutura de recarga.

No Energy Summit, o especialista israelense em eletroquímica Doron Aubarch apresentou as baterias de sódio como uma alternativa real às de lítio. O sódio não tem risco de escassez, oferece menor risco de incêndio e desempenha melhor em temperaturas extremas. O ponto fraco atual é a menor densidade energética, o que significa menos autonomia por carga. Mas o preço das baterias de sódio deve se igualar ao das de lítio ainda em 2027, abrindo caminho para elétricos mais acessíveis nos anos seguintes.

6 em cada 10 brasileiros já usam IA para comprar carro

Os dados do Google, apresentados no seminário Anfavea Visions 2026, mostram que 57% dos brasileiros usam ferramentas de inteligência artificial durante o processo de escolha do veículo. Seja para comparar modelos, entender custos de manutenção ou organizar as opções disponíveis no mercado, a IA passou a fazer parte da jornada de compra de forma bem concreta.

Outros 30% usam IA especificamente para comparar fabricantes e modelos. E 13% já transferem parte da decisão final para a própria ferramenta. O efeito colateral é que o processo de compra ficou mais longo: mais acesso a informação alimenta mais pesquisa antes do cheque ser assinado. Uma pesquisa separada, feita pelo Google com o Ipsos em 21 países e 21.000 entrevistados, mostrou que 54% dos brasileiros já usavam IA generativa em 2024, acima da média global de 48%. O Brasil está entre os mercados mais receptivos a essa mudança.

Mas o alerta existe: a Ford contratou recentemente 350 engenheiros seniores nos EUA para corrigir problemas causados pela IA interna da empresa, que geraram prejuízos bilionários à fabricante. A tecnologia é útil, mas ainda exige revisão humana nas decisões mais críticas.

GWM confirma segunda fábrica no Brasil: R$ 10 bilhões e 9.000 empregos no Espírito Santo

A fabricante chinesa GWM confirmou que vai construir uma segunda fábrica no Brasil, em Aracruz, no Espírito Santo, a 80 km de Vitória. A área total é de 1,7 milhão de m², parte dos R$ 10 bilhões que a marca comprometeu com o país ao longo de 10 anos, com término previsto para 2032. A previsão é de 9.000 empregos diretos e indiretos.

A GWM já produz no Brasil desde agosto de 2025, na antiga fábrica da Mercedes-Benz, de onde saem os SUVs H6 e H0 e a picape Poer. A nova unidade vai fabricar veículos a combustão com motor flex, híbridos e elétricos. O SUV elétrico Ora 5, lançado no mês passado, é o único modelo confirmado até agora. A localização em Aracruz é estratégica: a cidade abriga a primeira Zona de Processamento de Exportação de capital privado do país, o que dá à montadora condições competitivas de exportar para Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia e México.

O que um despachante vê nesse cenário que o comprador comum não percebe

Com mais marcas no mercado e mais tecnologias disponíveis, a documentação de transferência, o licenciamento e o IPVA seguem as mesmas regras para qualquer fabricante, seja ele brasileiro, europeu ou chinês. O que muda é o valor venal do veículo para o cálculo do imposto, que depende de tabelas estaduais atualizadas anualmente, e que nem sempre acompanham o ritmo de entrada de modelos novos.

Um ponto de atenção real, que quem trabalha com documentação vê com frequência: modelos recém-lançados, especialmente de marcas com histórico menor de emplacamentos no Brasil, podem apresentar inconsistências no cadastro do chassi no Detran nas primeiras semanas após o lançamento. Isso não é regra, mas acontece, e quando acontece segura o processo de transferência por tempo indeterminado. Se você comprou um modelo chinês novo ou está pensando em comprar, confirme com o despachante ou diretamente no Detran se o veículo já está devidamente registrado antes de assinar qualquer contrato de transferência.


Ei, motorista! Se você chegou até aqui, achamos que também vai precisar saber disso:


Perguntas frequentes sobre o mercado automotivo brasileiro

O carro popular vai acabar no Brasil?

A tendência apontada por especialistas é de redução gradual. Novas exigências regulatórias de segurança e eficiência energética encarecem a produção, e os modelos mais básicos tendem a desaparecer ou subir de preço. As marcas chinesas estão ocupando parte desse espaço com veículos mais equipados a preços competitivos.

O que é bateria de sódio e por que ela importa?

É uma tecnologia alternativa à bateria de lítio usada hoje nos carros elétricos. A bateria de sódio tem menor risco de incêndio e funciona melhor em temperaturas extremas, mas oferece menos autonomia por carga. O preço deve se igualar ao do lítio em 2027, o que pode abrir caminho para elétricos mais baratos.

Posso usar IA para decidir qual carro comprar?

Sim, e 57% dos brasileiros já fazem isso, segundo dados do Google. Ferramentas de IA ajudam a organizar informações e comparar modelos, mas a decisão final sobre financiamento, documentação e custo total de propriedade ainda se beneficia de uma consulta especializada.

Carros de marca chinesa têm documentação diferente no Detran?

Não. O processo de transferência, licenciamento e IPVA segue as mesmas regras para qualquer fabricante. O ponto de atenção é o registro inicial do veículo no sistema do Detran, especialmente em modelos recém-lançados, onde inconsistências no cadastro do chassi podem aparecer e travar o processo de transferência.

A GWM já fabrica carros no Brasil?

Sim. A GWM produz no Brasil desde agosto de 2025, na antiga fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP). Os modelos fabricados localmente são os SUVs H6 e H0 e a picape Poer. Uma segunda fábrica foi confirmada em Aracruz (ES), com previsão de incluir o SUV elétrico Ora 5.

Qual a sua nota para este texto?

Clique nas estrelas

Nota 0,0 / 5 de 0 avaliação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

App Dok no celular
Grátis para iOS e
Android
O copiloto do motorista brasileiro
Disponível na
App Store
Disponível no
Google Play

Icone de erro

Falha ao enviar, tente novamente.

Icone de sucesso

Comentário enviado para análise, será publicado em breve.